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Reinventando o banking para PMEs com dados, IA e inclusão financeira

Reinventando o banking para PMEs com dados, IA e inclusão financeira

As pequenas e médias empresas (PMEs) ocupam um papel central na economia global. Elas geram empregos, impulsionam a inovação e sustentam cadeias produtivas inteiras. Ainda assim, muitas continuam enfrentando dificuldades para acessar serviços financeiros que acompanhem a velocidade e a complexidade de suas operações.

Parte desse desafio está ligada ao próprio desenho histórico do sistema financeiro. Durante décadas, o modelo tradicional de banking foi estruturado principalmente para atender grandes empresas ou consumidores individuais. No caso das PMEs, muitos produtos e processos ainda não refletem a dinâmica desses negócios, especialmente em temas como acesso a crédito, gestão de fluxo de caixa e integração com soluções digitais.

No Brasil, pesquisas recentes ajudam a dimensionar melhor essa relação entre empresas e instituições financeiras. O estudo “Panorama PME Brasil”¹, que envolveu mais de dois mil empreendedores, mostra que pequenas e médias empresas conhecem, em média, dez instituições financeiras que oferecem soluções empresariais, mantêm relacionamento com quatro delas e são efetivamente clientes de apenas duas. O dado revela um ambiente competitivo na oferta de serviços financeiros para esse público e também indica que muitas empresas ainda buscam parceiros que compreendam melhor suas necessidades.

O acesso ao crédito continua sendo um dos principais pontos de tensão nessa relação. Muitos empreendedores têm negócios viáveis, mas não possuem o histórico financeiro ou as garantias exigidas pelos modelos tradicionais de análise de risco.

Essa questão também influencia diretamente o relacionamento com os bancos. Dados apontam que 43% das PMEs que tiveram crédito negado afirmam ter considerado trocar de banco principal, o que ilustra como o financiamento continua sendo um elemento decisivo para a fidelização desse público.

A dimensão do desafio vai além do contexto brasileiro. De acordo com uma análise da Visa Consulting & Analytics², o déficit de financiamento para PMEs alcança trilhões de dólares em diferentes regiões do mundo. Na América Latina e no Caribe, por exemplo, esse gap é estimado em cerca de US$ 650 bilhões, o equivalente a aproximadamente 7% do PIB regional. Para efeito de comparação, no Leste Asiático e Pacífico, região que inclui economias como o Japão, o déficit chega a cerca de US$ 2,4 trilhões, aproximadamente 10% do PIB regional.

Nos últimos anos, no entanto, novos caminhos começam a surgir para enfrentar esse desafio. O avanço da digitalização financeira ampliou significativamente o volume de dados disponíveis sobre o funcionamento das empresas. Informações transacionais, fluxo de caixa em tempo real e histórico de pagamentos oferecem uma visão mais dinâmica da saúde financeira de um negócio do que modelos tradicionais baseados apenas em balanços ou histórico bancário.

Com o apoio da inteligência artificial, instituições financeiras podem utilizar esses dados para desenvolver modelos mais sofisticados de avaliação de crédito, capazes de acelerar decisões, ampliar a inclusão financeira e reduzir riscos por meio de análises mais precisas e contínuas.

Ao mesmo tempo, a própria rotina financeira das empresas está passando por mudanças. A segunda edição do levantamento “Panorama da Gestão de Despesas Corporativas”³, que ouviu 1.700 empresas de diferentes portes em todas as regiões do país, indica que 45% das empresas brasileiras ainda não conseguem governar suas finanças em tempo real, mesmo em um ambiente cada vez mais digitalizado. A pesquisa também mostra que 63% relatam dificuldades para acompanhar suas finanças com previsibilidade, evidenciando o desafio de transformar a velocidade das transações em gestão financeira efetiva.

Esse contraste revela uma das principais oportunidades para o setor financeiro. Se, por um lado, os pagamentos se tornaram cada vez mais rápidos e digitais, por outro, muitas empresas ainda operam com ferramentas de gestão que não acompanham esse ritmo.

Além de ampliar o acesso ao crédito, essas mudanças também apontam para uma possível evolução na forma como bancos se relacionam com as PMEs. Em vez de atuar apenas como fornecedoras de produtos, como contas, cartões ou linhas de crédito, as instituições financeiras passam a ter a oportunidade de se posicionar como plataformas de apoio ao crescimento dos negócios.

Na prática, isso significa integrar serviços financeiros ao cotidiano do empreendedor, oferecendo desde insights baseados em dados sobre o desempenho da empresa até ferramentas de gestão de fluxo de caixa, acesso simplificado a capital de giro e soluções digitais que apoiem a expansão dos negócios.

O segmento de PMEs representa uma das maiores oportunidades de evolução para o setor financeiro nos próximos anos. Capturar esse potencial exige mais do que adaptar produtos existentes. Exige repensar a experiência financeira de ponta a ponta, combinando dados, inteligência artificial e novas soluções digitais para apoiar o crescimento de milhões de pequenos e médios empreendedores.

Quando as PMEs prosperam, toda a economia avança.

*Marcela Pinori, vice-presidente de Soluções Comerciais da Visa do Brasil

 




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