Mulheres convivem anos com dores, perdas urinárias e desconfortos íntimos sem saber que fisioterapia pélvica pode ajudar


Especialidade auxilia no tratamento de perda urinária, dores pélvicas, endometriose e sintomas que impactam diretamente qualidade de vida, autoestima e saúde emocional.

Perda urinária, dores pélvicas, desconfortos durante relações sexuais e sintomas relacionados à endometriose ainda fazem parte da rotina de milhões de mulheres brasileiras. O problema é que grande parte delas convive durante anos com essas alterações sem buscar ajuda especializada — muitas vezes por acreditar que determinados sintomas são “normais” da idade, da maternidade ou do próprio corpo feminino.

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), cerca de 45% das mulheres brasileiras apresentam algum grau de incontinência urinária ao longo da vida. Ainda assim, o tema continua cercado de vergonha, desinformação e silêncio, fazendo com que muitas pacientes demorem anos para procurar tratamento.

Além disso, a endometriose, uma das doenças ginecológicas mais comuns no país, afeta aproximadamente 7 milhões de brasileiras, de acordo com o Ministério da Saúde. Entre os sintomas mais frequentes estão dores intensas, alterações intestinais, desconfortos urinários e impacto significativo na rotina e na saúde emocional.

Globalmente, o cenário também chama atenção. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo convivam com endometriose. Já estudos publicados pela International Continence Society apontam que a incontinência urinária impacta diretamente aspectos emocionais, sociais e profissionais da vida das mulheres, afetando autoestima, prática de exercícios físicos, vida sexual e relações sociais.

Apesar desse cenário, a fisioterapia pélvica ainda é pouco conhecida fora do meio médico e costuma ser procurada apenas quando os sintomas já comprometem qualidade de vida e bem-estar.

Segundo a fisioterapeuta pélvica Regiane Migliorini, especialista em disfunções do assoalho pélvico, muitas pacientes chegam ao atendimento depois de anos convivendo com dores e limitações silenciosas.

“Muitas mulheres acreditam que perder urina após a gestação ou sentir dor frequentemente faz parte da vida feminina. Existe uma normalização muito grande desses sintomas, e isso atrasa diagnósticos e tratamentos importantes”, explica.

Hoje, o assoalho pélvico é compreendido como uma estrutura muscular fundamental para continência urinária e fecal, suporte dos órgãos pélvicos, função sexual, estabilidade do core e qualidade de vida feminina. Entre as principais queixas atendidas estão:

● perda urinária
● dores pélvicas
● dores durante relações sexuais
● desconfortos relacionados à menopausa
● sintomas no pós-parto
● dores associadas à endometriose

Estudos publicados no Journal of Women’s Health apontam que mulheres com disfunções do assoalho pélvico apresentam índices mais elevados de ansiedade, isolamento social e impacto emocional relacionado à autoestima e à percepção corporal.

“A fisioterapia pélvica atua justamente na prevenção, avaliação e tratamento dessas disfunções. O objetivo não é apenas aliviar sintomas, mas devolver funcionalidade, segurança e qualidade de vida”, afirma Regiane.

Outro diferencial do trabalho realizado pela especialista é o atendimento domiciliar, modelo que vem crescendo principalmente entre pacientes que buscam mais privacidade, conforto e acolhimento.

De acordo com levantamento da consultoria Grand View Research, o mercado global de home care deve ultrapassar US$ 666 bilhões até 2030, impulsionado principalmente pela busca por tratamentos mais personalizados, acessíveis e humanizados.

“No atendimento domiciliar, muitas pacientes se sentem mais seguras e confortáveis para falar sobre questões íntimas e delicadas. Isso melhora acolhimento, adesão ao tratamento e até continuidade do acompanhamento”, explica.

Para Regiane, ampliar o acesso à informação ainda é um dos maiores desafios da área.

“Quanto mais falamos sobre saúde íntima feminina e fisioterapia pélvica, mais mulheres entendem que sentir dor ou conviver com desconfortos constantes não deveria ser normal”, finaliza.

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