O Quilombo Urbano Mineiro Pau, em Santa Cruz, na zona oeste do Rio de Janeiro, recebe neste domingo (24), a partir das 9h, a terceira edição do Festival do Dia da África. Com o tema Da África ao Quilombo Urbano: Africanidades Vivas e Caminhos de Esperança, o evento promove atividades culturais e educativas voltadas à valorização da herança africana e afro-brasileira.
Organizada pela Obra Social Filhos da Razão e Justiça (OSFRJ), a programação marca as celebrações do Dia Mundial da África, comemorado em 25 de maio. A data relembra a criação da Organização da Unidade Africana, fundada em 1963 e transformada em União Africana em 2002.
Segundo a produtora cultural da OSFRJ, Júlia Madeira, o trabalho desenvolvido pela instituição é focado na educação e na cultura antirracista, especialmente entre crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social na comunidade de Mineiro Pau.
De acordo com ela, muitas das crianças atendidas pela organização apresentavam dificuldades em reconhecer a própria identidade negra. A proposta do festival é reforçar a valorização das raízes africanas e da ancestralidade como forma de fortalecimento social e cultural.
O projeto atende cerca de 90 crianças e adolescentes, que participam de atividades culturais e educativas ao longo da semana. Entre as ações desenvolvidas está o projeto teatral Recontando Minha História Preta, que apresenta personagens negros importantes para a história do Brasil.
Durante o festival, o público poderá acompanhar apresentações inspiradas em figuras como Dandara dos Palmares, Maria Felipa, Luiz Gama e Marielle Franco. A proposta é destacar personagens historicamente pouco abordados nos materiais escolares tradicionais.
A programação inclui ainda roda de conversa sobre a importância do Dia da África, com participação do babalaô Ivanir dos Santos e das professoras Mariana Gino e Lavini Castro.
Também estão previstas atrações culturais como roda de samba, apresentações do grupo de dança Mineiro Pau e oficinas de pintura afro, grafite, turbantes e tranças. O evento contará ainda com o tradicional Café de Terreiro e um almoço ancestral comunitário.
A entrada será mediante a doação de um quilo de alimento não perecível. Os alimentos arrecadados serão destinados à produção de refeições para as crianças atendidas pela instituição e à montagem de cestas básicas para famílias em situação de vulnerabilidade.
A OSFRJ é reconhecida como Ponto de Cultura e Ponto de Memória por instituições culturais e integra o Comitê Executivo do Sítio Patrimônio Mundial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
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