Sob desgaste de crises e investigações, TJMT antecipa edital e busca consenso para eleição interna


Com inscrições abertas a partir desta segunda-feira (25), Tribunal tenta interromper sequência de disputas acirradas e unificar grupos em torno do atual corregedor, José Luiz Leite Lindote

O Poder Judiciário de Mato Grosso vive um momento de forte desgaste institucional. Pressionado por investigações de corrupção envolvendo magistrados, afastamentos motivados por baixa produtividade e uma queda de popularidade decorrente de polêmicas sobre supersalários e penduricalhos, o Tribunal de Justiça (TJMT) decidiu mudar de estratégia para a sua próxima sucessão. A meta interna agora é buscar o consenso e construir uma candidatura unificada para os cargos de presidente, vice-presidente e corregedor-geral, interrompendo uma sequência histórica de três disputas consecutivas e acirradas pelo comando da Corte.

O reflexo prático desse movimento foi a antecipação do calendário eleitoral. Diferente do que ocorre tradicionalmente, quando o edital de convocação para as inscrições é lançado apenas em outubro, o tribunal apressou o rito e publicou o documento nesta semana. O prazo para que os interessados registrem suas candidaturas começa nesta segunda-feira (25) e se estende até a próxima sexta-feira (29).

O nome da unificação

Dentro das costuras políticas do Pleno, o nome que surge como o principal fator de unificação entre as alas internas é o do atual corregedor-geral, desembargador José Luiz Leite Lindote. A preferência por sua figura é respaldada por sua atuação considerada rígida na condução da Corregedoria.

Magistrados ouvidos pela reportagem apontam que a postura firme de Lindote tem sido fundamental para tentar recuperar a imagem pública do TJMT, especialmente porque o próprio corregedor chancelou decisões de afastamento de colegas de toga. “Ele tem ajudado neste processo de superação dessa fase de críticas por conta de algumas investigações envolvendo membros do Tribunal”, relatou um desembargador que preferiu não se identificar.

Ciente do apoio, Lindote já comunicou oficialmente aos seus pares a intenção de concorrer ao cargo mais alto da instituição, sinalização que foi recebida com amplo agrado pela maioria do Pleno.

Engenharia política e os demais cargos

O desenho do consenso também passou pelo recuo estratégico de outras forças internas. O desembargador Gilberto Giraldelli, que disputou a presidência na última eleição — ocasião em que foi derrotado pelo atual mandatário, desembargador José Zuquin Nogueira —, era visto como um candidato natural ao posto. Contudo, diante da viabilidade do nome de Lindote, Giraldelli optou por abrir mão da cabeça de chapa e se colocou à disposição para a vice-presidência.

Questionado sobre a articulação, Giraldelli confirmou que vai postular a cadeira de vice, mas fez questão de lembrar que as escolhas no TJMT não ocorrem por meio de chapas fechadas:

“Apenas confirmo que vou concorrer ao cargo de vice-presidente. A eleição é independente uma da outra, não tem chapa.”

Nos bastidores, interlocutores avaliam que o recuo de Giraldelli faz parte de um plano de longo prazo, posicionando-o como o favorito natural para buscar a presidência do tribunal no biênio 2029/2030.

Para a Corregedoria-Geral de Justiça, vaga que será aberta com a provável ascensão de Lindote, a tendência desenhada pelos magistrados é de que o cargo seja ocupado por uma mulher. Até o momento, a desembargadora Helena Maria Bezerra é o nome mais citado e consensual entre os membros do Pleno para assumir as funções correcionais.

O peso da crise e a Operação Sisamens

A urgência por união interna é uma resposta direta à gravidade da crise que se instalou no Judiciário estadual. O estopim mais recente foi a Operação Sisamens, deflagrada pela Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de corrupção na Corte.

A ação policial, que já se desdobrou em nove fases distintas, provocou fortes abalos na estrutura do TJMT. Inicialmente, resultou no afastamento cautelar dos desembargadores Sebastião de Moraes e João Ferreira Filho. Posteriormente, Sebastião de Moraes acabou se aposentando compulsoriamente ao atingir os 75 anos, a idade limite permitida para a permanência no serviço público do Judiciário brasileiro. Ao longo das etapas subsequentes da operação, o desembargador Dirceu dos Santos também foi afastado de suas funções.

Além do escândalo apurado na Sisamens, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso enfrenta o desgaste de outra investigação paralela, que apura supostos desvios de recursos financeiros diretamente da conta única da própria instituição.

Com informações do Jornal A Gazeta.



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