Expressões como “farmar aura”, “FOMO” e “gag de la gag” estão dominando a internet e o vocabulário dos adolescentes. Mas, para muita gente, esse novo “idioma” ainda parece impossível de decifrar.
Nas ruas, adultos tentam adivinhar o significado das palavras usadas pelos jovens e quase ninguém consegue acertar. “Farmar aura?”, questiona uma entrevistada, sem entender a expressão. Outro participante arrisca dizer que “FOMO” seria apenas uma forma errada de falar “fomos”.
A confusão não é por acaso. As gírias mudam cada vez mais rápido, impulsionadas por memes, vídeos curtos, jogos online, influenciadores e redes sociais. Termos que surgem em uma semana podem viralizar entre adolescentes e, pouco tempo depois, já serem substituídos por outros.
Entre os jovens, no entanto, as expressões fazem parte da rotina. Estudantes de 14 a 18 anos citam gírias como “mó fita”, “veinho”, “fé”, “bagulho é louco”, “pesou o clima” e outras expressões que circulam nas conversas presenciais e no ambiente digital.
A geração Alpha, formada por pessoas nascidas entre 2010 e 2025, cresceu em um mundo totalmente conectado. Para esse grupo, a separação entre a vida online e offline praticamente não existe. Por isso, a linguagem usada na internet rapidamente chega às salas de aula, aos grupos de amigos e às conversas em família.
Você entende as gírias dos adolescentes?
Expressões que viralizaram entre jovens nas redes sociais, jogos e grupos de amigos.
Ganhar respeito, estilo ou “moral”.
Medo de ficar de fora de algo.
Algo exagerado ou muito comentado.
Situação complicada ou confusa.
Quando tudo fica desconfortável.
Algo vergonhoso ou ultrapassado.
Segundo a professora de Língua Portuguesa Cristiane Martins, as gírias também funcionam como uma forma de identidade e pertencimento. Ela explica que os adolescentes criam conexões a partir de afinidades, como jogos, músicas, vídeos e comunidades digitais.
“Se você não fala assim, talvez eu não seria aceito”, explica a professora, ao comentar como a linguagem pode ajudar os jovens a se sentirem parte de um grupo.
A velocidade dessas mudanças também chama atenção. De acordo com a especialista, os próprios estudantes relatam que uma gíria nova pode durar cerca de seis meses antes de ser substituída por outra.
Esse fenômeno não é exatamente novo. Cada geração criou suas próprias expressões. Termos como “lacrou”, “cringe” e até o antigo “conto do vigário” já marcaram épocas diferentes. A diferença é que, agora, as redes sociais aceleraram esse processo.
Para a professora, o que acontece com a linguagem dos adolescentes é parte da variação linguística, um fenômeno natural da língua. Em outras palavras, a Língua Portuguesa continua fazendo o que sempre fez: mudando conforme o tempo, os grupos e os modos de convivência.
No fim das contas, entender as gírias dos adolescentes é também uma forma de entender como eles se comunicam, criam identidade e ocupam o mundo digital.