O agronegócio brasileiro escapou de uma nova rodada de tarifas anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas os efeitos das barreiras comerciais impostas anteriormente continuam impactando parte dos exportadores. Conforme publicado originalmente por veículos especializados em economia e agronegócio, produtos agrícolas brasileiros ficaram fora das novas sobretaxas, preservando mercados importantes para estados exportadores como Mato Grosso.
A medida evita um novo impacto sobre setores estratégicos da economia brasileira, especialmente em um momento em que a demanda internacional por alimentos segue elevada. Ainda assim, empresas que perderam espaço durante o período das restrições enfrentam dificuldades para recuperar clientes e contratos no mercado americano.
Café perde espaço enquanto concorrentes avançam
Um dos segmentos mais afetados continua sendo o café. Mesmo sendo um dos principais fornecedores do produto para os Estados Unidos, o Brasil viu suas exportações recuarem significativamente.
Dados do mercado americano apontam que as vendas brasileiras de café renderam US$ 785 milhões no primeiro trimestre de 2025. No mesmo período deste ano, o valor caiu para US$ 532 milhões.
Enquanto o Brasil perdeu participação, países concorrentes ampliaram presença no mercado americano. A Colômbia passou a exportar mais café que os brasileiros para os Estados Unidos, enquanto Honduras e Guatemala registraram fortes avanços nas vendas. Até a Alemanha ampliou suas exportações por meio do comércio de café industrializado e reexportado.
O movimento mostra que, mesmo após o fim de determinadas barreiras, recuperar espaço comercial pode levar anos e exigir novas estratégias de mercado.
Carne bovina vive cenário oposto e beneficia Mato Grosso
Se o café enfrenta dificuldades, a carne bovina brasileira vive um momento diferente. A necessidade crescente dos Estados Unidos de importar proteína animal abriu novas oportunidades para frigoríficos nacionais.
Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o Brasil exportou cerca de 120 mil toneladas de carne bovina para o mercado americano no primeiro trimestre deste ano, avanço de 36% em comparação ao mesmo período de 2025.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) estima que esse volume já tenha alcançado 150 mil toneladas até abril.
Para Mato Grosso, a notícia tem peso especial. O estado possui o maior rebanho bovino do Brasil, com mais de 35 milhões de cabeças, além de liderar as exportações nacionais de carne bovina.
Por que os EUA estão comprando mais carne brasileira?
A resposta está dentro das próprias fronteiras americanas. Os Estados Unidos enfrentam uma redução histórica do rebanho bovino, resultado de secas prolongadas e do aumento dos custos de produção.
Com menos oferta interna, o país passou a depender mais das importações para abastecer supermercados e atender a demanda dos consumidores.
Somente no último ano, os americanos gastaram cerca de US$ 14 bilhões na compra de carne bovina estrangeira, um crescimento de 30% em relação ao período anterior.
Ao mesmo tempo, os preços continuam pressionando o orçamento das famílias. Dependendo do corte, a carne bovina acumula alta entre 15% e 18% nos últimos 12 meses no mercado americano.
Mato Grosso ganha importância global
Para Mato Grosso, maior potência agropecuária do país, o cenário reforça uma tendência observada nos últimos anos: a crescente dependência de grandes mercados consumidores em relação aos alimentos produzidos no estado.
Além da carne bovina, Mato Grosso lidera a produção nacional de soja, milho e algodão, commodities fundamentais para a segurança alimentar global. Em um momento de instabilidade geopolítica, custos elevados de energia e aumento dos preços dos fertilizantes, regiões com alta capacidade produtiva tendem a ganhar ainda mais relevância no comércio internacional.
Embora o alívio nas tarifas represente uma boa notícia para o setor, os desafios permanecem. A disputa por mercados segue intensa, especialmente em produtos como café, enquanto segmentos ligados à proteína animal encontram oportunidades impulsionadas pela necessidade crescente de importação por parte dos Estados Unidos.
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