A colheita da segunda safra de milho começa a ganhar ritmo em Lucas do Rio Verde e região. Embora algumas áreas já tenham sido colhidas nas últimas semanas, a expectativa é de que o volume de máquinas nas lavouras aumente significativamente nos próximos dias, à medida que os índices de umidade dos grãos atinjam níveis adequados para a colheita.
Segundo o presidente do Sindicato Rural de Lucas do Rio Verde, Tiago Cinpak, as condições climáticas registradas até meados de maio influenciaram diretamente o cronograma dos produtores.
De acordo com ele, as chuvas prolongadas mantiveram a umidade elevada nas lavouras, retardando o início dos trabalhos em muitas propriedades.
“A colheita começou há cerca de 15 dias, mas ainda de forma bastante pontual. Acredito que na próxima semana a maioria dos produtores já estará efetivamente dentro das lavouras. A umidade demorou um pouco para cair e o produtor evita colher milho muito úmido porque isso não é interessante economicamente”, explicou.
Apesar do atraso inicial, os resultados observados até o momento são positivos. Conforme os primeiros relatos recebidos pelo Sindicato Rural, as produtividades estão dentro das expectativas e algumas áreas apresentam desempenho considerado satisfatório.
No início da colheita, uma das preocupações era a presença de grãos avariados em determinados talhões. Entretanto, segundo Cinpak, as informações mais recentes indicam uma redução desse problema.
“No começo houve uma preocupação com o índice de avariados, mas os últimos levantamentos mostram que esse percentual vem diminuindo e entrando dentro dos padrões aceitáveis”, afirmou.
Mercado segue pressionando a rentabilidade
Se por um lado a produtividade traz perspectivas favoráveis ao produtor, por outro a comercialização continua sendo motivo de atenção. A combinação entre a queda do dólar e a desvalorização das commodities agrícolas no mercado internacional tem pressionado as margens do setor.
Segundo o presidente do Sindicato Rural, o cenário não afeta apenas o milho, mas praticamente todas as culturas agrícolas.
“Os preços estão baixos para praticamente todas as commodities. Isso vem apertando bastante a margem dos produtores e gerando preocupação em todo o setor”, destacou.
Historicamente, o início da colheita costuma ser marcado por uma pressão adicional sobre os preços devido ao aumento da oferta. Neste ano, porém, a presença das indústrias de etanol de milho tem contribuído para dar maior estabilidade ao mercado regional.
“Por sorte, hoje temos as fábricas de etanol que ajudam a sustentar a demanda. O milho se tornou uma matéria-prima muito atrativa para esse setor e isso gera uma importante demanda local”, observou.
Ainda assim, Cinpak ressalta que as exportações continuam sendo fundamentais para o equilíbrio do mercado brasileiro, uma vez que a produção nacional supera amplamente o consumo interno.
“Nós produzimos praticamente o dobro do que consumimos. Por isso, exportar continua sendo essencial. Com o dólar mais baixo e a queda dos preços em Chicago, os exportadores acabam perdendo competitividade e disputando menos o milho disponível. Hoje, em muitos casos, as indústrias de etanol estão pagando mais do que o mercado exportador”, explicou.
Com o avanço da colheita nas próximas semanas, o setor deverá ter um panorama mais preciso sobre o desempenho da safra 2026. Até o momento, a expectativa é de que a produtividade ajude a compensar parte das dificuldades enfrentadas pelos produtores em um cenário de preços mais apertados e custos ainda elevados.
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