O Dia dos Namorados de 2026 promete movimentar muito mais do que o comércio tradicional. Uma pesquisa inédita realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, revela que o amor, a fé e até crenças ligadas ao universo místico devem impulsionar o consumo em todo o país nas semanas que antecedem o dia 12 de junho.
Segundo o levantamento, 39% dos consumidores brasileiros pretendem realizar algum tipo de simpatia, ritual ou prática voltada à conquista amorosa ou ao fortalecimento dos relacionamentos. O percentual representa aproximadamente 38,5 milhões de pessoas e abre espaço para um mercado específico que vem ganhando força nos últimos anos.
Mercado místico ganha espaço
Entre os produtos mais procurados por quem pretende recorrer a práticas espirituais ou simbólicas relacionadas ao amor estão itens de perfumaria e cosméticos especializados, citados por 24% dos entrevistados. Fragrâncias com feromônios, óleos corporais e banhos de ervas lideram as preferências.
Também aparecem na lista peças de lingerie e roupas em cores consideradas atrativas para energias amorosas, mencionadas por 14% dos participantes. Velas coloridas e incensos temáticos foram lembrados por 12%, enquanto objetos decorativos ligados à devoção e à espiritualidade, como imagens de Santo Antônio, fontes de água e itens em pares, somaram 11% das intenções.
Apesar da tendência, a maioria dos entrevistados, equivalente a 54%, afirmou não acreditar ou não participar desse tipo de prática.
Aparência também entra na lista de prioridades
A pesquisa mostra que a preparação pessoal para a data também deve aquecer diversos segmentos do varejo. Cerca de 67% dos consumidores pretendem investir em algum produto ou serviço para melhorar a aparência antes da celebração.
Roupas, calçados e acessórios lideram as intenções de compra, sendo mencionados por 35% dos entrevistados. Na sequência aparecem perfumes, cosméticos e maquiagens, com 32%, seguidos por lingeries e peças íntimas, especialmente entre as mulheres, com 21%.
Os tratamentos estéticos também aparecem entre os gastos planejados, sendo citados por 18% dos consumidores.
Surpresa ainda é a preferência dos casais
Mesmo com o crescimento das listas de desejos e dos presentes previamente combinados, a surpresa continua sendo um dos ingredientes preferidos entre os casais brasileiros.
De acordo com o estudo, 65% dos consumidores preferem não definir previamente o presente que irão receber. Desses, 36% afirmam gostar do fator surpresa e 23% acreditam que a escolha espontânea do parceiro torna o gesto mais especial.
Por outro lado, 35% dos entrevistados preferem indicar diretamente o presente desejado, seja para garantir que receberão exatamente o que querem ou para evitar erros na escolha.
Compras de última hora seguem tradição
O levantamento também identificou os hábitos de compra dos consumidores. A primeira semana de junho foi apontada como o principal período para aquisição dos presentes, concentrando 41% das intenções. Outros 29% afirmaram ter antecipado as compras ainda em maio.
Entretanto, a tradição de deixar tudo para a última hora continua forte. Cerca de 10% dos entrevistados admitiram que pretendem comprar o presente apenas na véspera do Dia dos Namorados, comportamento mais comum entre os homens e que pode representar quase 10 milhões de consumidores circulando pelo comércio nos momentos finais.
Amor pode pesar no orçamento
A pesquisa também revelou que muitos brasileiros estão dispostos a fazer ajustes financeiros para não deixar a data passar em branco. Seis em cada dez consumidores afirmaram que adotariam medidas especiais para garantir a compra do presente.
Entre as estratégias mais comuns estão a redução de gastos considerados supérfluos, como delivery e lazer, apontada por 25% dos entrevistados. Outros 23% disseram que pretendem adiar compras pessoais, enquanto o mesmo percentual admite recorrer ao parcelamento, mesmo sabendo que isso poderá comprometer o orçamento dos meses seguintes.
Os dados também acendem um alerta. Em situações de maior dificuldade financeira, 10% dos consumidores afirmaram que utilizariam o cheque especial ou fariam empréstimos para conseguir presentear o parceiro. Já 7% admitiram que poderiam atrasar contas fixas ou utilizar recursos destinados a despesas essenciais, como alimentação e saúde.
Pesquisa
O levantamento foi realizado entre os dias 29 de abril e 8 de maio de 2026 com consumidores das 27 capitais brasileiras, maiores de 18 anos, pertencentes a todas as classes econômicas e com intenção de compra para o Dia dos Namorados.
Foram ouvidos inicialmente 906 consumidores para identificar o interesse de compra na data. Na etapa seguinte, 600 entrevistados que declararam intenção de presentear responderam ao questionário completo. A margem de erro é de 4 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
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