Recuo na soja e recordes no milho e algodão redesenham exportações de Mato Grosso em maio


Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A retração nas compras chinesas de soja e o avanço histórico nos embarques de milho e algodão ditaram o ritmo das exportações de Mato Grosso em maio de 2026. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), apontam que o estado manteve forte protagonismo logístico no país. Enquanto a oleaginosa perdeu fôlego no mercado externo, o cereal e a pluma renovaram patamares históricos de escoamento.

O recuo na soja foi determinado pelo comportamento do principal parceiro comercial de Mato Grosso. O estado exportou 4,55 milhões de toneladas em maio de 2026, volume 14,95% inferior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. O resultado reflete diretamente a redução de 22,74% nas compras efetuadas pela China, que somaram 2,79 milhões de toneladas no quinto mês de 2026.

Além da menor demanda externa, o mercado doméstico absorveu parte do produto disponível em Mato Grosso. O processamento interno ganhou tração por conta do avanço no esmagamento para a produção de óleo de soja, que se consolidou como a principal matéria-prima demandada na fabricação de biodiesel.

Apesar da desaceleração nos embarques de soja, o acumulado de janeiro a maio atingiu 19,85 milhões de toneladas, o maior volume enviado ao mercado externo dos últimos cinco anos para o período. Segundo analistas do Instituto, as oscilações pontuais e reduções temporárias são naturais: “Vale destacar que reduções no ritmo das exportações são comuns no período entre safra”.

Para o fechamento de 2026, as projeções do Imea apontam que Mato Grosso deve enviar ao mercado internacional um total de 32,11 milhões de toneladas de soja. Caso o número se confirme, o volume representará um incremento discreto de 0,31% sobre o total observado ao longo de 2025.

Safra de milho supera ciclo anterior

No caso do milho, o desempenho das exportações brasileiras em maio foi carregado pelo resultado mato-grossense. O país escoou 249,31 mil toneladas do cereal, uma queda de 47,06% frente a abril, mas com salto expressivo de 571,87% na comparação anual. Mato Grosso foi o responsável por 48,55% desse total ao embarcar 121,03 mil toneladas, registrando o quinto maior volume para meses de maio na série histórica.

O volume exportado pelo estado representa um crescimento de 207,36% em relação à divulgação anterior. No consolidado da safra 2024/25, as exportações de Mato Grosso já alcançaram 24,03 milhões de toneladas, superando em 1,68% o total escoado em toda a safra 2023/24, restando ainda o mês de junho para fechar os dados oficiais.

Com esse desempenho, o ciclo atual assume o terceiro lugar entre os maiores volumes já exportados na história do milho mato-grossense.

Algodão renova recorde histórico em Mato Grosso

A pluma do algodão registrou o melhor desempenho para meses de maio em toda a série histórica do estado, com o embarque de 194,42 mil toneladas. O montante significou 66,77% de tudo o que o Brasil exportou do produto no período. A liderança mensal das compras ficou com Bangladesh, que adquiriu 45 mil toneladas, seguido pelo Paquistão, com 35,83 mil toneladas.

A China reduziu o ritmo de procura e deixou de liderar os embarques mensais de pluma nos últimos dois meses. Apesar disso, os chineses mantêm a liderança no acumulado da temporada atual (agosto de 2025 a maio de 2026) com 381,15 mil toneladas recebidas, seguidos de perto por Bangladesh, que absorveu 326,31 mil toneladas.

No acumulado geral da temporada, Mato Grosso somou 1,82 milhão de toneladas exportadas, renovando o recorde do período pelo segundo ano consecutivo. De acordo com as projeções do Imea, “o acumulado dos embarques da temporada (agosto de 25 a julho de 2026) deve totalizar 2,08 milhões de toneladas”.


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