Otaviano Pivetta propõe no STF compensação financeira do Pará por serviços públicos prestados por Mato Grosso


A disputa jurídica e administrativa pelos limites geográficos na divisa norte do estado ganhou uma nova e contundente proposta financeira em Brasília (DF). O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, apresentou nesta quarta-feira (10), durante audiência de conciliação conduzida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, uma proposta de compensação financeira entre MT e Pará por serviços públicos prestados a municípios paraenses localizados na faixa de fronteira.

A medida visa equilibrar os cofres públicos mato-grossenses, que historicamente absorvem demandas essenciais de cidadãos do estado vizinho.

Mato Grosso contesta marcos geográficos da ACO 714 e aponta erro histórico

A audiência de conciliação integra o processo em tramitação na Suprema Corte que analisa os desdobramentos e impactos sociais da linha divisória estabelecida anteriormente. O Governo de Mato Grosso sustenta que há inconsistências e erros materiais de interpretação geográfica no julgamento original da Ação Cível Originária (ACO) nº 714. De acordo com a tese mato-grossense, a cartografia utilizada desconsiderou a real posição de marcos naturais, alterando indevidamente o traçado da fronteira.

Diante do impasse territorial ainda sem desfecho definitivo, Otaviano Pivetta defendeu a assinatura imediata de um termo de cooperação interestadual. O governador argumentou que existe um severo desequilíbrio fiscal, uma vez que Mato Grosso arca sozinho com os custos de infraestrutura, segurança e saúde de milhares de famílias paraenses. Os dados assistenciais apresentados ao STF que comprovam o impacto financeiro reúnem:

  • Internações Hospitalares: Mais de 13 mil internações de pacientes paraenses custeadas por MT em 2025;
  • Atendimentos Ambulatoriais: Cerca de 2,9 milhões de procedimentos ambulatoriais realizados na rede mato-grossense;
  • Procedimentos de Maternidade: Mais de 1,5 mil partos de cidadãs do Pará financiados pelo sistema público de MT;
  • Arrecadação Tributária: Municípios da calha de divisa geraram R$ 372,2 milhões em tributos estaduais no último ano.

Ministro Flávio Dino prioriza conciliação e procuradorias debatem transição

O ministro relator, Flávio Dino, destacou que o propósito do STF é costurar uma solução pacífica e consensual. Ele frisou que qualquer saída adotada pelo tribunal deverá ponderar tanto a segurança jurídica das decisões passadas quanto fórmulas intermediárias que impeçam a desassistência ou prejuízos humanos aos moradores da fronteira. A proposta de ressarcimento financeiro foi bem recebida como um mecanismo de transição viável para organizar a repartição de custos públicos.

Como encaminhamento prático da audiência, os procuradores-gerais de Mato Grosso e do Pará darão início a uma série de reuniões técnicas de trabalho na sede do STF. O grupo focará em alinhar protocolos conjuntos de segurança pública e resolver gargalos de regularização fundiária na área de litígio, dois dos temas mais sensíveis e propensos a conflitos na região.

Dados da Disputa e Proposta de Acordo no STF Indicadores Oficiais e Diretrizes (2026)
Proponente da Compensação Governador Otaviano Pivetta (Mato Grosso)
Ministro Mediador do STF Ministro Flávio Dino
Origem da Contestação Territorial Erros de marcos naturais no julgamento da ACO 714
Arrecadação da Região em Conflito R$ 372,2 milhões em tributos estaduais (2025)
Próximos Passos Alinhados Reuniões entre Procuradorias sobre terras e segurança

A cobrança por reciprocidade financeira inaugurada por Mato Grosso no STF estabelece um novo paradigma nas discussões de limites estaduais, condicionando a geografia política à responsabilidade fiscal e ao ressarcimento de investimentos sociais feitos além de suas fronteiras oficiais.

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