Dados do 9º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26, divulgados ontem (11) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mostram que neste ciclo Mato Grosso deve colher cerca de 111,1 milhões de toneladas (t), volume que se confirmado, será 0,9% inferior à temporada passada quando o saldo foi recorde em 112,39 milhões t. Mesmo com leve recuo anual, o estado será responsável por 31% da produção brasileira, que neste ano, é estimada como recorde.
A diferença anual da safra mato-grossense se explica no recuo de dois dos três principais cultivos em 2025/26: algodão em pluma -4,6% e milho segunda safra -1,7%. Somente a soja, com os resultados já consolidados – a colheita terminou no início de abril – surge positiva, com alta de 0,6% entre as safras.
Ainda segundo os dados da Companhia, Mato Grosso segue pelo 14º consecutivo como o maior produtor nacional de grãos e algodão.
Conforme o 9º Levantamento da Safra, Mato Grosso colheu 51,62 milhões t de soja nessa safra, o que garantiu saldo positivo de 0,6% em relação ao ano passado.
No milho safrinha, cuja colheita começou em meados de maio, a projeção é uma oferta de 53,98 milhões t, 1,7% abaixo do recorde do ano passado: 54,92 milhões t.
Também cultura de segunda safra em Mato Grosso, o algodão tem a maior queda anual projetada pela Conab. No comparativo a oferta de pluma deve encolher 4,6%, com a produção passando de 2,85 milhões t para 2,72 milhões t na safra 2025/26.
BRASIL – O Brasil deve colher 358,6 milhões t de grãos na safra 2025/26. A nova estimativa da Conab aponta para novo recorde de produção, podendo registrar uma alta de 1,8% em relação ao resultado obtido no ciclo anterior, ou seja, um acréscimo de 6,4 milhões t a serem colhidas neste ciclo. Ainda de acordo com o documento, esse resultado é justificado pelo aumento na área cultivada, estimada em 83,5 milhões de hectares, aliado às condições climáticas favoráveis, que deve refletir em uma boa produtividade média nacional prevista em 4.295 quilos por hectare.
Dentre as culturas cultivadas, a soja se destaca por apresentar incremento de 8,8 milhões t em relação ao volume obtido na safra anterior. Com a colheita praticamente finalizada, a produção no ciclo 2025/26 está estimada em 180,3 milhões t. Ainda de acordo com o Boletim da Conab, o resultado reflete o crescimento da área destinada para a oleaginosa, aliado ao bom pacote tecnológico e condições climáticas favoráveis, nesta safra.
Principal cultura cultivada na 2ª safra, o milho tem uma estimativa de produção total de 140,5 milhões t (somadas as três safras). A colheita do produto semeado na primeira safra já atinge 87,7% da área e deve atingir 29,3 milhões de toneladas, aumento de 17,7% em relação ao mesmo período da temporada 2024/25. Além da maior área destinada ao grão no atual ciclo, a produtividade também apresenta incremento de 7,6%, estimada em 7.110 quilos por hectare, estabelecendo um novo recorde na série histórica da Companhia na primeira safra do grão. A segunda safra do cereal se encontra em fase inicial de colheita com expectativa de atingir produção de 107,9 milhões t. Já para a terceira safra do cereal, o plantio está próximo do encerramento e a Companhia espera uma colheita de 3,3 milhões t.
Outro produto importante na segunda safra é o algodão. A produção da pluma está estimada em cerca de 4 milhões t, uma redução de 2,5% em relação à safra de 2024/25 influenciada pela menor área semeada. No caso do sorgo, que registra a quinta maior produção entre os grãos analisados pela Companhia, a colheita está estimada em 7,62 milhões t, incremento de 1,5 milhão t quando comparado com o volume obtido na safra passada, que representa uma alta de 24,9%.
MERCADO – A produção recorde de soja possibilita um ligeiro aumento nas exportações, sendo estimadas em 116,1 milhões t, além de um maior volume da oleaginosa destinado ao processamento, projetado em 61,58 milhões t. Com isso, o estoque de passagem da soja em grãos deve se estabelecer em torno de 9,2 milhões t. A Conab também realizou ajustes nas projeções do quadro de suprimentos para o milho, diante do ajuste na projeção para a produção total na atual safra, com os estoques de passagem do grão podendo chegar a 13,25 milhões t no final de janeiro de 2027. O estoque final esperado para o feijão no final de dezembro também foi atualizado para 288,5 mil t da leguminosa.
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