Dirigente de partido relata pressão de facções em campanha: ‘Me senti coagido’


O presidente do Solidariedade em Mato Grosso, Marco Aurélio Coelho, afirmou que sentiu na própria campanha a pressão de facções criminosas em bairros de Cuiabá. A declaração foi dada durante entrevista ao podcast Política de Primeira, do Primeira Página.

Segundo ele, a interferência de grupos criminosos no processo eleitoral é uma preocupação real para partidos e candidatos. Marco Aurélio relatou que, durante a campanha em 2024, chegou a se sentir coagido e acompanhado em agendas políticas.

Presidente do Solidariedade, Marco Aurélio, em entrevista ao Política de Primeira. – Foto: Primeira Pagina

“Na minha última eleição, eu joguei a toalha no finalzinho porque me senti coagido, me senti pressionado”, disse.
O dirigente afirmou que, em algumas regiões, havia a percepção de que determinados bairros tinham “donos”, em referência ao domínio exercido por grupos criminosos.

“Eu chegava no bairro e ouvia: esse bairro aqui é de fulano, esse bairro aqui é de sicrano”, relatou.

Marco Aurélio também contou que chegou a ser retirado de uma igreja em Cuiabá, mesmo afirmando que estava no local para levar uma mensagem religiosa, e não para fazer campanha política. “Eu não estava como político ali. Eu fui levar uma palavra de Deus”, afirmou.

Facções nas eleições

Durante a entrevista, o presidente do Solidariedade comentou o pedido do Ministério Público Eleitoral para que partidos apresentem medidas de prevenção contra candidaturas ligadas ao crime organizado.

Marco Aurélio disse que os partidos podem colaborar com denúncias e checagens, mas afirmou que não têm poder de investigação.

“Eu posso encaminhar uma denúncia para averiguação. Mas não posso abordar uma pessoa como se ela já fosse culpada”, afirmou.

Para ele, o avanço das facções em comunidades gera medo e pode influenciar o voto.
“As pessoas têm medo e eles dominam. É triste. Nós temos que ter enfrentamento. O mal não pode vencer o bem”, disse.

Articulações para 2026

Na entrevista, Marco Aurélio também falou sobre os rumos da federação formada pelo Solidariedade e pelo PRD em Mato Grosso. Ele afirmou que a intervenção nacional no PRD obrigou o grupo a recalcular a rota para as eleições deste ano.
Segundo ele, a prioridade agora é reorganizar a chapa para deputado federal e garantir a sobrevivência partidária dentro das regras eleitorais.

O dirigente afirmou ainda que a federação está próxima de uma composição com o MDB, de Janaina Riva, e o PL, de Wellington Fagundes, mas reforçou que a decisão final será tomada em convenção.
“Hoje, o Solidariedade é centro-direita. Mas a definição passa pela convenção”, disse.

Marco Aurélio também afirmou que nomes como os vereadores Adevair Cabral e Baixinha Giraldelli estão entre os quadros que podem ser chamados para disputar uma vaga na Câmara Federal.
Perfil técnico e economia
Contador e especialista em incentivos fiscais, Marco Aurélio também comentou temas econômicos, como endividamento, educação financeira e programas de renegociação de dívidas.

Ele avaliou que programas como o Desenrola podem ajudar quem quer reorganizar a vida financeira, mas alertou para o risco de novas dívidas caso não haja mudança de comportamento.
“O programa é válido para quem não quer se enrolar mais”, afirmou.

O presidente do Solidariedade disse que defende planejamento financeiro e citou como exemplo o uso de consórcios e a cultura de poupar antes de comprar.
“Quem tem paciência em poupar, quando menos percebe, se torna uma pessoa diferenciada”, disse.

Marco Aurélio também defendeu os incentivos fiscais em Mato Grosso e afirmou que eles ajudaram a levar indústrias para regiões antes menos desenvolvidas do estado.

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