O conselheiro do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (CORECON-DF), Pedro Garrido, participou de entrevista para analisar os possíveis impactos da nova política tarifária dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, tema que tem mobilizado autoridades, empresários e especialistas em comércio internacional.
A decisão do governo norte-americano sobre a entrada em vigor de novas tarifas sobre produtos brasileiros deve ser anunciada nesta quarta-feira (15). Caso sejam implementadas, as medidas poderão impor uma tarifa de 25%, com a possibilidade de um adicional de 12,5% para determinados produtos, elevando a carga tarifária para até 37,5%.
Durante a entrevista, Pedro Garrido explicou que o novo conjunto de medidas difere das tarifas anunciadas anteriormente. Segundo ele, desta vez a fundamentação está na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, instrumento utilizado para investigar supostas práticas comerciais desleais de outros países.
O economista destacou que esse mecanismo já foi aplicado ao Brasil em décadas anteriores, especialmente em questões relacionadas aos setores de informática e propriedade intelectual. Para Garrido, o uso da Seção 301 frequentemente extrapola aspectos jurídicos e se transforma em um instrumento de pressão econômica nas negociações internacionais.
“O argumento jurídico vira um pretexto para obter vantagens. É um jogo de coerção econômica”, afirmou.
Entre os temas levantados pelos Estados Unidos nas negociações, Garrido citou questões relacionadas ao etanol, ao sistema de pagamentos Pix, à propriedade intelectual e a temas ambientais e trabalhistas. Na avaliação do economista, parte dessas questões não deveria integrar uma negociação comercial, como é o caso da regulamentação do Pix, por se tratar de uma política pública brasileira.
O conselheiro também alertou para os impactos econômicos que a medida pode provocar. Segundo projeções da Confederação Nacional da Indústria (CNI), caso as novas tarifas sejam efetivamente implementadas, mais de 4 mil produtos brasileiros poderão ser atingidos, representando cerca de US$ 15 bilhões em exportações.
Para Garrido, os setores mais vulneráveis incluem produtos industrializados, carnes, açúcar, alumínio e aço, segmentos que mantêm forte integração com as cadeias produtivas norte-americanas.
Ao comentar as alternativas para o Brasil, o economista ressaltou que o país dispõe de instrumentos legais para responder a medidas unilaterais, como a Lei de Reciprocidade Econômica, recentemente aprovada pelo Congresso Nacional. Segundo ele, a legislação prevê mecanismos de compensação e retaliação diante de práticas consideradas incompatíveis com as normas do comércio internacional.
Pedro Garrido também defendeu que o Brasil preserve sua autonomia na formulação de políticas públicas e continue buscando a diversificação de mercados internacionais, especialmente caso o aumento tarifário seja confirmado.
A entrevista reforça a importância do debate técnico sobre os desafios do comércio exterior e o papel dos economistas na análise dos impactos das políticas econômicas internacionais sobre a economia brasileira.
Assista à entrevista completa: