Opinião: Requalificação Urbana do Centro Histórico de Cuiabá


Com o passar dos anos vamos nos aproximando da essência natural de tudo que nos cerca, quase uma busca constante de uma visão alargada do mundo e tudo que acaba nos influenciado em nosso cotidiano.

A percepção Humana vai ficando sublime com as nossas caminhadas e vivencias ao longo de uma jornada longa, hoje não conseguiria enumerar as horas que passei e convivi na região central do Centro Histórico de Cuiabá.

A casa da Nossa Família era nas proximidades da Praça Antônio Correa, próximo do Palácio Alencastro, Catedral do São Bom Jesus de Cuiabá, Igreja da Boa Morte, Igreja Senhor dos Passos, Igreja São Benedito, Ruas Candido Mariano, Praça Caetano Albuquerque, Rua Presidente Marques, um Sitio Urbano cujo perímetro foi se transformando e se desgastando de forma vertiginosa ao passar de longos anos.

Aos poucos, com o desaparecimento do seu apogeu e glórias, e muitas memórias e acontecimentos relevantes foi se perdendo o espírito do lugar.

Às vezes, ao passar pela área do Centro Histórico de Cuiabá, fecho os olhos, pois não me reconheço neste ambiente triste, caótico, barulhento, conturbado, espelho de um não lugar, embora ainda consiga manter o seu lugar de interlocução   para outros lugares, cujo tratamento urbano tenha outro perfil de humanidade.

Recentemente, deparei-me com esta declaração: Governo do Estado lança pacote de Isenção Fiscal para o Centro Histórico de Cuiabá.

Em linguagem de estratégia econômica, o Governo, através de Lei Complementar de nº 849, estabelece linhas de crédito e incentivos e benefícios, incluindo, isenção de ICMS por cinco anos para instalação de novos comércios no perímetro do Centro Histórico e o Perdão de ITCMD sobre imóveis já instalados na região.

Como Arquiteta Urbanista, sonho com a perspectiva efetiva de um projeto estruturante que possa trazer através de programas de caráter inovador a requalificação deste ambiente, símbolo de uma Capital do AGRO e tradições típicas maravilhosas,  que na verdade, podemos dizer, sem medo de ufanismos, que, hoje, no Cenário Nacional, Mato Grosso é mais que o Agro é um território potência e símbolo de uma nova engenharia de conquistas e consolidação de poderes.

O processo de lapidar o Centro Histórico deve ser programado de forma global e com visão de futuro, lançando Luz sobre o que permanece, ousando no que precisa dar um salto de qualidade em termos de recursos tecnológicos que dispomos.

Corrigindo os exageros que foram feitos aos pedaços, para lapidar o diamante bruto há que se retirar as sombras e se destacar o que é essencial.

Hoje, o Centro precisa cumprir um novo papel, significando: preservar com segurança, mobilidade, conforto, usos e ocupação diferenciados, lazer e pontos de vivência urbana.

Transformar o Centro em um lugar agradável para se viver, trabalhar, morar bem com qualidade, tecnologia, bem estar e beleza. Está provado que até no deserto pode se edificar oásis.

Podemos partir dos incentivos econômicos e desenhar um modelo próprio para o Sítio Histórico de Cuiabá, cujo propósito, seja promover o desenvolvimento  econômico e social, utilizando como matriz principal, a escala humana, balizando as diretrizes para programas  conectados com a realidade social, ambiental e de urbanidade, com preservação e perspectiva de  resgate  do espirito do lugar, delineando uma nova ordem urbana, concebida e criada sobre a égide de cidades inteligentes e humanas.

Por Ana Rita Maciel Ribeiro, arquiteta em Cuiabá

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