Ausência da defesa cancela júri de acusado de atropelar mãe e filha em Cacoal

O que você precisa saber

  • O júri de Ezequiel Custódio Pereira foi cancelado após a defesa não comparecer ao plenário.
  • Ele responde por dupla tentativa de homicídio e injúria racial, após atropelar mãe e filha em Cacoal.
  • O juiz deu 30 minutos de tolerância antes de dissolver o plenário.
  • Novo julgamento foi remarcado para 28 de agosto.

O julgamento de Ezequiel Custódio Pereira, previsto para acontecer nesta quinta-feira (13) no Fórum Desembargador Aldo Castanheira, em Cacoal, não saiu do papel. A sessão do Tribunal do Júri precisou ser cancelada logo no início, depois que a defesa do acusado simplesmente não compareceu ao plenário.



Ezequiel responde por dupla tentativa de homicídio relacionada a um grave acidente registrado na Avenida Porto Velho, em julho de 2024, quando um automóvel atingiu a motoneta em que estavam Raquel de Paula e sua filha, Gabriela de Paula. Contra ele também pesa acusação de injúria racial, direcionada a um policial militar durante a abordagem que se seguiu ao caso.

Segundo o relato, o juiz de direito Rogério Montai abriu a sessão pontualmente às 8h, mas diante da ausência dos advogados de defesa, concedeu um prazo adicional de 30 minutos para que eles se apresentassem. Como ninguém compareceu dentro desse intervalo, o magistrado optou por dissolver o plenário, cancelando o julgamento que seria realizado naquele dia. Uma nova data já foi definida: o júri deve ocorrer no dia 28 de agosto.

Ministério Público lamenta ausência e cita prejuízo ao próprio réu

Após o cancelamento, a promotora de Justiça Daiane Zulian Dorst concedeu entrevista destacando a surpresa do Ministério Público diante do não comparecimento da defesa. Segundo ela, a expectativa é de que o julgamento realmente ocorra na nova data marcada, com a instituição preparada para atuar normalmente.

“Eu definiria esse júri como um júri que deveria ser marcado pela empatia. Empatia com a vítima, empatia com todo o sistema de justiça.” — Daiane Zulian Dorst, promotora de Justiça

Para a promotora, um julgamento como esse deveria ser conduzido com empatia, tanto em relação às vítimas quanto ao sistema de Justiça como um todo, algo que, na sua avaliação, não se refletiu na conduta observada nesta quinta-feira. Ela ainda chamou atenção para uma contradição no episódio: como o próprio acusado está preso preventivamente, o adiamento do julgamento acaba por prejudicá-lo diretamente, já que ele permanecerá detido por mais tempo até a realização de um novo júri.

Discussão técnica precedeu a ausência da defesa

De acordo com Daiane, antes mesmo do início da sessão, houve uma disputa processual em que o juiz já havia decidido a favor de pedidos apresentados pela defesa, indeferindo solicitações feitas pelo Ministério Público. Ainda assim, segundo a promotora, a expectativa era de que o julgamento acontecesse normalmente naquele dia, já que as provas do processo, incluindo imagens do caso, sustentariam a atuação da acusação independentemente desse resultado prévio.

A promotora reforçou que o caso não afeta apenas as vítimas diretas do atropelamento, mas também os policiais militares envolvidos no atendimento da ocorrência, cuja honra profissional também estaria em jogo diante das acusações de injúria racial. Segundo ela, o Ministério Público já se prepara para o novo julgamento marcado para o fim do mês, com o compromisso de conduzir o processo de forma justa e pautada pela ética.




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Conteúdo publicado automaticamente pelo Portal Nortão News.

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