MP detalha inquérito sobre intervenção no Corinthians e pede cautela à torcida

Por Thiago Henrique e André Costa

A Promotoria do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) afirmou nesta quarta-feira que o inquérito civil que apura a possibilidade de uma intervenção judicial no Corinthians ainda está em estágio inicial, embora o órgão já esteja reunindo documentos e ouvindo representantes do clube.

As declarações foram dadas pelos promotores Luiz Ambra Neto e André Pascoal após uma reunião com integrantes das principais torcidas organizadas do Timão, que protestaram em frente à sede do MP-SP, na região da Sé, em São Paulo. O ato reuniu membros de seis organizadas do Corinthians e teve como principal reivindicação a nomeação de um interventor judicial para assumir temporariamente a administração do clube em meio à crise política e administrativa.

Estágio das investigações

Segundo André Pascoal, a apuração ainda está nos primeiros passos devido a uma suspensão temporária do procedimento, que precisou passar pelo Conselho Superior do Ministério Público antes de receber autorização para prosseguir.

“Esse inquérito civil ficou suspenso por um período no Conselho Superior do Ministério Público para abrir discussão sobre a continuidade das investigações. Houve um aval do Conselho Superior do Ministério Público. Então, efetivamente, a gente ainda está no início da investigação, mas estamos colhendo muitas provas e estamos nos empenhando bastante para instruir o mais rápido possível esse inquérito”, explicou.

O promotor destacou, porém, que a Promotoria tem acelerado a coleta de informações para avaliar a situação administrativa do clube e reunir elementos suficientes para uma eventual ação judicial.

(Foto: Thiago Henrique/Gazeta Esportiva)

Como o Corinthians tem colaborado?

Luiz Ambra Neto afirmou que, até o momento, o Corinthians vem atendendo às solicitações feitas pelos investigadores. Entre as diligências já realizadas está a oitiva do presidente Osmar Stabile, acompanhada pelo diretor jurídico e por advogados do clube.

“Até o presente momento, tem prestado as informações que a gente tem solicitado. Uma das diligências foi a oitiva do presidente, juntamente com o diretor jurídico e acompanhado por advogado”, disse.

O promotor ressaltou que a colaboração da diretoria tem sido positiva neste início de trabalho, mas ponderou que ainda é cedo para tirar conclusões sobre o andamento da investigação.

“O Corinthians se prontificou a prestar todas as informações que nós solicitarmos. Até o presente momento, tem se mostrado colaborativo. Porém, é o começo da apuração”, acrescentou.

Ambra Neto ainda revelou que novas solicitações de documentos foram encaminhadas recentemente ao clube e que a Promotoria aguarda as respostas para dar sequência às análises.

“Essa solicitação de alguns documentos, de algumas informações, foi encaminhada ontem ou hoje. Então, não houve nem tempo hábil para a gente verificar se isso vai fluir de uma maneira adequada ou não”, completou.

Impactos do protesto

Embora tenha minimizado qualquer impacto prático do protesto na produção de provas, o Ministério Público reconheceu a importância da mobilização da torcida para demonstrar a relevância social do tema.

Para André Pascoal, a reunião com representantes das organizadas serviu como mais um canal de diálogo entre a instituição e a sociedade.

“Acredito que o efeito prático para a nossa investigação não interferiu. Mas acho que a transparência é importante num caso como esse. Sabemos a função da torcida em toda essa situação e é importante ter essa conversa. Como promotoria, estamos abertos a todos os cidadãos que aqui vêm trazendo suas demandas”, afirmou.

Já Luiz Ambra Neto classificou a manifestação como um importante termômetro da repercussão do caso entre os corintianos.

“É um termômetro muito interessante para a gente verificar o impacto que isso causa na sociedade e na torcida corintiana. Sem dúvida, isso é muito importante, principalmente para frisar a nossa legitimidade, para demonstrar que nós podemos fazer essa investigação e mostrar que isso interessa a um número gigantesco de pessoas”, declarou.

O promotor, entretanto, reforçou que o clamor popular não influencia a análise técnica sobre uma eventual intervenção.

“Com relação à questão de provas, quanto à existência ou não dos fatos, à justificativa ou não para a intervenção, são coisas separadas. Mas, sim, isso é importante para demonstrar que o Ministério Público tem sua razão para atuar”, completou.

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MP entende ansiedade, mas pede cautela

Durante a conversa com os representantes das organizadas, os promotores também ouviram manifestações sobre a demora na conclusão do inquérito. O Ministério Público reconheceu a expectativa dos torcedores, mas reforçou a necessidade de conduzir o procedimento com cautela.

“A gente tem consciência da ansiedade. Isso foi algo que foi mencionado na nossa entrevista com os torcedores”, afirmou André Pascoal.

O promotor destacou que qualquer eventual medida judicial dependerá da construção de uma base probatória sólida.

“A gente tem que agir, também, por outro lado, com muita cautela na colheita de provas, na prestação de provas, caso nós entremos com a ação, para que ela esteja bem fundamentada, com um bom substrato probatório. Então, isso é algo que exige um cuidado investigativo muito grande de nossa parte. E nós estamos muito empenhados nesse sentido”, concluiu.

O inquérito foi aberto no fim do ano passado e ainda não tem prazo para ser concluído. No entanto, segundo apuração da Gazeta Esportiva, o processo deve ser finalizado em, no máximo, dois meses.

Os representantes do MP passaram as últimas semanas analisando documentos enviados pela diretoria do Timão. No último dia 10 de agosto, o presidente do clube, Osmar Stabile, prestou depoimento aos promotores Luiz Ambra Neto e André Pascoal para esclarecer dúvidas sobre sua gestão e a situação financeira e administrativa do Timão.

O que pode acontecer com o Corinthians?

Se a Justiça decidir nomear um interventor no Corinthians, ele teria os seguintes poderes: assumir a presidência e os atos administrativos do clube, suspender as decisões ou contratos, promover auditorias internas, reorganizar toda a estrutura administrativa e até convocar novas eleições, se necessário.

O interventor, nomeado pela Justiça, atuaria sob fiscalização do Poder Judiciário e teria de apresentar relatórios periódicos. A medida permaneceria vigente até que o juiz entenda que as irregularidades foram sanadas e que o clube pode retomar sua gestão regular.


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Conteúdo publicado automaticamente pelo Portal Nortão News.

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