EUIDEAL – A disputa eleitoral de 2026 em Rondônia ganhou mais um capítulo envolvendo a família Oliveira. Jean Oliveira, deputado estadual que teve sua condenação por corrupção passiva confirmada pelo Tribunal de Justiça de Rondônia, decidiu não apenas buscar a reeleição, mas também levar sua mãe, Márcia Oliveira, para a disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados — movimento que ocorre justamente no momento em que sua situação jurídica se torna mais delicada.
Uma nominata concorrida e um sobrenome com histórico na política
Jean é filho do ex-presidente da Assembleia Legislativa Carlão de Oliveira, também condenado por corrupção em processos que remontam à mesma época e que, antes de ser preso, chegou a passar anos foragido da Justiça. Além de Jean, outro filho da família, Márcio Oliveira, já ocupou cadeira como vereador de Porto Velho.
Agora é a vez de Márcia Oliveira, mãe de Jean, concorrer a uma vaga federal pelo PRD — legenda que também abriga a candidatura de reeleição do próprio Jean. A sigla reúne o que é considerado, até aqui, um dos grupos mais fortes das eleições de 2026: além de Jean, buscam a reeleição pelo partido nomes como Ribeiro do Sinpol, Edevaldo Neves, Lebrinha e Pedro Fernandes, todos deputados em exercício.
“Jean Oliveira integra uma das nominatas mais concorridas de 2026, ao lado de outros quatro deputados que também buscam reeleição pelo PRD.”
O que pesa contra Jean na Justiça
O pano de fundo dessa movimentação eleitoral é uma situação jurídica que se agravou nos últimos meses. O TJ-RO rejeitou os embargos apresentados pela defesa de Jean Oliveira e manteve a condenação do parlamentar por corrupção passiva em continuidade delitiva, ligada à Operação Termópilas, deflagrada em 2011 para apurar um esquema de propina dentro da Assembleia Legislativa.
Na sentença original, de dezembro de 2024, a pena havia sido fixada em 2 anos, 7 meses e 15 dias, substituída por prestação de serviços à comunidade e multa — decisão que, à época, ainda permitiu que o deputado seguisse exercendo o mandato, já que parte dos desembargadores havia afastado o efeito automático da perda de cargo. Com a rejeição do recurso, porém, o quadro mudou: o tribunal não apenas manteve a condenação, como elevou a pena para mais de quatro anos de reclusão e reafirmou a perda do mandato como consequência direta da sentença.
Jean ainda responde a um segundo processo, ligado à Operação Feldberg, que segue em tramitação separada. A combinação das duas frentes judiciais é vista como fator que pode comprometer diretamente sua elegibilidade, nos termos da Lei da Ficha Limpa.
Uma estratégia de sobrevivência política
Ao lançar a candidatura da mãe simultaneamente à própria tentativa de reeleição, Jean Oliveira parece buscar uma rede de proteção política para a família, num momento em que sua permanência na Assembleia Legislativa depende diretamente do desfecho dos processos que ainda tramita na Justiça. Resta saber se o eleitorado rondoniense vai validar essa estratégia nas urnas — e se a Justiça Eleitoral permitirá que o próprio Jean chegue até lá como candidato.
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