Resumo da notícia
- Frigorífico Irmãos Gonçalves divulgou nota após auditoria do MPF apontar indícios de irregularidade em 32,6% do gado abatido.
- Empresa afirma ter cumprido toda a legislação vigente em 2023 e 2024, com Nota Fiscal, GTA e consultas de embargo.
- Auditoria do TAC da Carne apontou 260.952 animais com indícios de origem irregular, de um total de 800.141 abatidos.
- Diferentemente de concorrentes como JBS, Minerva e Marfrig, a empresa não colaborou com o levantamento do MPF.
EUIDEAL – Dois dias depois de uma auditoria do Ministério Público Federal (MPF) apontar indícios de irregularidade em quase um terço do gado abatido pelo Irmãos Gonçalves, maior frigorífico de Rondônia, a empresa divulgou uma Nota de Esclarecimento negando qualquer descumprimento da legislação. O documento, assinado pela diretoria executiva do grupo e datado de 27 de agosto, afirma que todas as aquisições de bovinos realizadas pela empresa nos anos analisados observaram as exigências legais vigentes na época.
Segundo a nota, o Irmãos Gonçalves cumpriu, em cada compra de gado, requisitos como Nota Fiscal, Guia de Trânsito Animal (GTA), consulta de embargos ambientais na propriedade e em nome do produtor, além de verificações relacionadas a trabalho escravo — itens que, segundo a empresa, sempre fizeram parte de seu processo de aquisição.
Relembre o que apontou a auditoria do MPF
O levantamento que motivou a resposta da empresa faz parte do 3º ciclo de auditorias do TAC da Carne, acordo firmado desde 2009 entre frigoríficos que operam na Amazônia e o Ministério Público Federal. Entre as regras do pacto está a proibição de comprar animais de propriedades associadas a desmatamento ilegal, grilagem de terras, trabalho análogo à escravidão e invasões em unidades de conservação, terras indígenas ou territórios quilombolas.
Segundo o MPF, do total de 800.141 cabeças de gado abatidas pelo Irmãos Gonçalves entre 2023 e 2024, 260.952 — o equivalente a 32,6% — apresentaram algum indício de não conformidade com esses critérios. Diferentemente de outros grandes frigoríficos avaliados no mesmo ciclo, a empresa não disponibilizou seus próprios dados de compra para a auditoria, o que levou o órgão a recorrer a bases públicas e análises automatizadas das remessas de animais destinadas às unidades da companhia em Rondônia.
O procurador da República Gabriel de Amorim Silva Ferreira afirmou que o Irmãos Gonçalves passará a receber atenção especial do órgão, já que representantes da empresa informaram utilizar um sistema próprio de monitoramento socioambiental, mas não demonstraram interesse em se submeter às auditorias conduzidas pelo MPF.
A íntegra da resposta da empresa
Na nota, o Irmãos Gonçalves reforça que, ao longo de sua história, sempre cumpriu a legislação brasileira e a Constituição Federal, e reafirma compromisso com o desenvolvimento econômico e socioambiental de Rondônia.
Nota de Esclarecimento — Frigorífico Irmãos Gonçalves
“Houve a divulgação de Relatório de Auditoria, realizado por instituição pública, o qual relata possível irregularidade na aquisição de bovinos pelo Frigorífico Irmãos Gonçalves, referente aos anos de 2023 e 2024.
É necessário esclarecer que toda aquisição de bovino realizada pelo Frigorífico Irmãos Gonçalves, nos referidos anos, observou a legislação, cumprindo com todas as exigências que eram vigentes nos respectivos anos de 2023 e 2024, tais como Nota Fiscal, GTA, Consulta de Embargos Ambientais na Propriedade e do Produtor, trabalho escravo, entre outras exigências.
O Grupo Irmãos Gonçalves, em sua história, sempre cumpriu com toda a Legislação Brasileira e com a Constituição Federal, e reitera o seu compromisso com o desenvolvimento econômico e socioambiental do nosso Estado de Rondônia.”
Jaru, 27 de agosto de 2026.
Diretoria Executiva — Frigorífico Irmãos Gonçalves
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