🌤️ 26°C | Nuvens dispersas ⛅

Sinop – MT 📍

26 de setembro de 2026 🗓️

Aegea tentou barrar no TCE o leilão bilionário da Caerd antes de a disputa terminar sem propostas

Resumo: Antes de a concorrência internacional pela concessão dos serviços de água e esgoto da Caerd terminar sem nenhuma proposta, a empresa Aegea Saneamento havia recorrido ao Tribunal de Contas de Rondônia (TCE-RO) para tentar suspender o processo. A companhia listou nove possíveis irregularidades no edital, avaliado em R$ 8,477 bilhões. O Tribunal não abriu uma ação autônoma para o pedido: anexou os questionamentos às fiscalizações que já acompanhavam a concessão e considerou prejudicado o pedido de suspensão. Dias depois, a licitação foi declarada deserta.

EUIDEAL – A concorrência que ficou conhecida como o leilão bilionário da Caerd chegou ao fim sem nenhuma proposta apresentada — mas não sem contestação. Documentos analisados pelo Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) mostram que a Aegea Saneamento e Participações S.A., apontada como uma das principais interessadas no negócio, havia recorrido à Corte de Contas dias antes para tentar suspender o processo licitatório.

O que aconteceu

  • Aegea apresentou nove possíveis irregularidades no edital ao TCE-RO, ainda sob sigilo
  • Concorrência envolvia R$ 8,477 bilhões, 40 municípios e concessão de 35 anos
  • Tribunal levantou o sigilo do processo por não haver justificativa para mantê-lo
  • Pedido não virou ação autônoma: foi anexado a fiscalizações já em andamento
  • Dias depois, a licitação foi declarada deserta, sem propostas de nenhuma empresa

Uma concessão de R$ 8,477 bilhões por 35 anos

A disputa girava em torno da Concorrência Pública Internacional nº 90496/2025/SUPEL/RO, que previa a concessão regionalizada dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário em 40 municípios rondonienses, por um prazo de 35 anos. Os serviços são hoje prestados, em parte da área da concessão, pela Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (Caerd) — o que deu à licitação o apelido pelo qual passou a ser conhecida publicamente.

O valor estimado do contrato, R$ 8,477 bilhões, e a previsão de uma sessão de encerramento na B3, em São Paulo, reforçavam o porte do negócio. Foi justamente essa concorrência que a Aegea tentou suspender antes de ela terminar, dias depois, sem um único interessado: nenhuma empresa ou consórcio apresentou proposta dentro do prazo, e a licitação foi declarada deserta.

Nove pontos questionados pela Aegea

Nos autos apresentados ao TCE-RO, a Aegea listou nove supostas falhas no edital. Entre os pontos técnicos, a empresa apontou o que considerou um subdimensionamento da extensão de rede de esgoto necessária para universalizar o serviço, além de classificar como inexequível o custo unitário por metro de rede usado na modelagem econômico-financeira do contrato.

A companhia também questionou a forma de cálculo do PIS/Cofins, alegando incorreção decorrente da exclusão da inadimplência da base de cálculo, e alertou para o risco de que premissas consideradas equivocadas no Estudo de Viabilidade Técnica e Econômico-Financeira acabassem sendo replicadas durante a execução do contrato — inclusive em futuros pedidos de reequilíbrio econômico-financeiro pela concessionária vencedora.

Outro ponto de discordância envolveu a modelagem dos indicadores de desempenho: segundo a Aegea, o edital previa metas idênticas para indicadores de cobertura e de atendimento, além de critérios que poderiam penalizar a futura concessionária por fatores fora de seu controle. A empresa ainda citou risco de vácuo na contratação do Verificador Independente e apontou inconsistências nas estruturas tarifárias de Nova Brasilândia d’Oeste, Alta Floresta d’Oeste e Primavera de Rondônia, onde, segundo a companhia, as tarifas seriam regressivas conforme a faixa de consumo. Por fim, a empresa alegou possíveis falhas na divulgação, em canais oficiais distintos, de adendos, erratas e respostas a pedidos de esclarecimento sobre a concorrência.

Nove questionamentos foram levados ao Tribunal antes de a concorrência terminar sem nenhuma proposta

TCE não abriu processo próprio para o pedido

Com base nesses apontamentos, a Aegea pediu ao Tribunal uma tutela de urgência para suspender a concorrência até o julgamento definitivo da matéria e, no mérito, solicitou a correção das supostas irregularidades, a republicação do edital e a devolução integral do prazo às potenciais licitantes. Antes de acionar o TCE, a empresa já havia apresentado impugnação semelhante diretamente à Superintendência Estadual de Compras e Licitações (Supel), que respondeu ao questionamento.

A unidade técnica do Tribunal reconheceu que a manifestação da Aegea preenchia os requisitos de admissibilidade e que havia elementos para uma possível atuação de controle. Ainda assim, o caso não atingiu a pontuação mínima exigida pelo filtro de seletividade usado pela Corte para abrir uma ação autônoma — em parte porque a concessão já vinha sendo acompanhada por outras duas fiscalizações: o Processo nº 02874/25/TCE-RO, que trata dos atos preparatórios e das avaliações técnica, econômico-financeira e ambiental, e o Processo nº 01964/26/TCE-RO, voltado à fase licitatória.

A decisão registra que parte dos pontos levantados pela Aegea, sobretudo os de natureza econômica e financeira, ainda não havia sido examinada dentro do processo principal e poderia ser analisada no acompanhamento já existente. Com isso, o Processo nº 02970/26/TCE-RO — aberto a partir da manifestação da empresa — acabou apensado ao Processo nº 02874/25/TCE-RO, e os questionamentos passaram a integrar a fiscalização já conduzida pelo Tribunal sobre a concessão.

Pedido de suspensão ficou prejudicado

Como o pedido apresentado pela Aegea não passou a tramitar como uma ação de controle autônoma, o requerimento de suspensão da concorrência foi considerado prejudicado dentro daquele procedimento específico. A decisão do TCE, no entanto, deixou em aberto a possibilidade de uma eventual medida suspensiva ser examinada dentro dos processos já em andamento, caso estivessem presentes os requisitos necessários para isso.

Também por decisão da própria Corte, o processo — que tramitava sob sigilo — teve a restrição de acesso derrubada, sob o entendimento de que a matéria tem natureza pública e de que não havia circunstância excepcional que justificasse manter o sigilo.

Licitação questionada Concorrência Pública Internacional nº 90496/2025/SUPEL/RO
Objeto Concessão regionalizada de água e esgoto em 40 municípios de RO, por 35 anos
Valor estimado R$ 8,477 bilhões
Empresa questionadora Aegea Saneamento e Participações S.A.
Processos no TCE-RO 02970/26 (apensado ao 02874/25) e 01964/26
Resultado da licitação Declarada deserta, sem propostas apresentadas

Nota do Eu IdealAs nove irregularidades listadas nesta matéria são apontamentos apresentados pela Aegea Saneamento ao Tribunal de Contas de Rondônia, e não conclusões definitivas do órgão sobre o edital. O TCE-RO não julgou o mérito dos questionamentos: a análise seguirá dentro das fiscalizações já em andamento sobre a concessão dos serviços de água e esgoto anteriormente prestados pela Caerd.



Fonte: [source]

Conteúdo publicado automaticamente pelo Portal Nortão News.

Please select listing to show.
Please select listing to show.
Please select listing to show.
Please select listing to show.
Please select listing to show.