Produtores de Lucas do Rio Verde seguem com plantio da safra de soja 2026/2027 sobre margens apertadas e desafios financeiros

O plantio da safra de soja 2026/2027 começou a ganhar ritmo em Lucas do Rio Verde (MT). Após volumes de chuva que atingiram a região — incluindo acumulados de cerca de 100 milímetros no início do mês e precipitações recentes na faixa dos 20 milímetros —, os produtores rurais locais retomaram o trabalho com as plantadeiras nos campos de sequeiro.

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Lucas do Rio Verde, Tiago Cinpak, a estimativa atual é de que entre 10% e 15% da área do município já tenha sido semeada, acompanhando a média do estado de Mato Grosso. Com a previsão de consolidação das chuvas nos próximos dias, a expectativa é de que o ritmo avance rapidamente.

Com chuvas recentes que aliviam o solo no médio-norte mato-grossense, ritmo dos trabalhos avança com cautela, custos elevados de produção e aperto no crédito rural. Foto: João Ricardo.

“Lucas do Rio Verde tem uma capacidade de plantio muito grande. Se der mais uma chuva igual a que está prevista para o final de semana, em cerca de 10 a 15 dias já teremos quase 100% da área plantada”, destaca Cinpak.

Umidade alivia risco de replantio, mas custos exigem cautela

As condições de umidade no solo no momento reduzem os riscos de necessidade de replantio e perdas precoces de germinação. No entanto, a segurança do desenvolvimento das lavouras ainda dependerá da continuidade do regime de chuvas ao longo dos próximos dez dias.

Para além do clima, a gestão financeira desponta como o principal gargalo para a safra 2026/2027. Em média, o custo direto de custeio — considerando insumos como sementes, fertilizantes e defensivos, sem incluir investimentos e amortizações — gira entre R$ 5.000,00 e R$ 5.200,00 por hectare.

Apesar de uma reação pontual no preço da soja disponível nas últimas semanas — que saltou do patamar de R$ 105,00/R$ 110,00 para cerca de R$ 125,00 a saca —, as margens do produtor continuam extremamente estreitas.

Com chuvas recentes que aliviam o solo no médio-norte mato-grossense, ritmo dos trabalhos avança com cautela, custos elevados de produção e aperto no crédito rural.
Com chuvas recentes que aliviam o solo no médio-norte mato-grossense, ritmo dos trabalhos avança com cautela, custos elevados de produção e aperto no crédito rural. Foto: João Ricardo.

Desafios no crédito e estratégias para milho e algodão

A situação financeira do setor é agravada pelo elevado custo do capital. Com a taxa Selic mantida em níveis altos e juros efetivos para captação livre na casa dos 20% ao ano, os produtores enfrentam severas restrições de liquidez.

Cinpak aponta que, embora o Governo Federal tenha sinalizado medidas e linhas de renegociação de dívidas, os recursos muitas vezes não chegam de forma efetiva aos produtores mais endividados, que hoje carecem de garantias e fluxo de caixa. Por essa razão, a recomendação para este ciclo é de máxima austeridade na gestão.

Por outro lado, o ritmo atual do plantio traz boas perspectivas para as culturas de segunda safra, como o milho e o algodão. Caso o plantio da soja seja concluído dentro da janela ideal (até meados de outubro), a safrinha contará com uma janela climática favorável.

No caso do milho em Lucas do Rio Verde, a forte demanda de usinas de etanol de milho e indústrias de proteína animal instaladas na própria região tem garantido um diferencial logístico importante ao absorver grande parte da produção local. Essa competição interna mitigou custos de frete e consolidou o milho como uma verdadeira safra de alto rendimento no município.

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Conteúdo publicado automaticamente pelo Portal Nortão News.

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