O Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, deve injetar R$ 9,27 bilhões no comércio varejista brasileiro em 2026, representando um crescimento real de 1,8% em relação ao mesmo período do ano passado, quando as vendas alcançaram R$ 9,11 bilhões. Os dados são de projeção da Confederação Nacional do Comercio (CNC) e confirmam a data como o quarto evento mais importante do calendário comercial brasileiro, ficando atrás apenas do Natal, do Dia das Mães e do Dia dos Namorados.
Apesar da expectativa de aquecimento nas vendas, o cenário macroeconômico exige cautela redobrada por parte das famílias. Indicadores recentes da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) apontam que o Brasil encerrou o mês de agosto com 73,71 milhões de consumidores inadimplentes, acendendo um alerta severo para o endividamento decorrente de compras festivas e sazonais.
Planejamento financeiro como escudo contra o endividamento
Diante do alto índice de inadimplência, instituições financeiras e especialistas em planejamento econômico reforçam a necessidade de cautela antes de assumir novos compromissos no comércio.
Eber Ostemberg, consultor de Sustentabilidade e Cooperativismo do Sicredi, destaca que o erro mais comum é avaliar apenas o valor da parcela sem observar a saúde financeira geral da casa. “Antes de decidir quanto gastar, é importante olhar para o orçamento como um todo e entender quais compromissos a família já possui. O presente precisa caber nessa realidade, sem comprometer despesas essenciais ou criar uma obrigação que pese nos próximos meses”, orienta.
O especialista também chama a atenção para o efeito cascata no calendário de consumo. Logo após o Dia das Crianças, o varejo engata a temporada da Black Friday, Natal e férias de fim de ano, seguida pelas obrigações fiscais e despesas com material escolar logo no início do ano seguinte. Compra parceladas em outubro, portanto, têm o potencial de comprometer a renda de longo prazo se não forem mapeadas com rigor. Entre as recomendações práticas estão:
- Avaliar o custo total: Analisar juros e condições reais de pagamento, priorizando compras à vista sempre que houver margem de desconto.
- Pesquisa prévia: Comparar preços em diferentes estabelecimentos e canais de e-commerce.
- Definição de teto de gastos: Estabelecer um valor limite antes de ir às compras, blindando o orçamento contra impulsos emocionais.
Oportunidade para educação financeira na infância
Mais do que o ato de presentear, o período é apontado por educadores financeiros como um momento pedagógico valioso para abordar o tema do dinheiro com os filhos de forma leve e descomplicada.
Para o consultor do Sicredi, a celebração não precisa estar atrelada exclusivamente ao consumo material. Atividades lúdicas, passeios em família e momentos de convivência podem construir memórias afetivas duradouras sem causar impactos nas finanças da casa.
A data também serve como porta de entrada para introduzir conceitos de prioridade e escolha no cotidiano. Quando as crianças participam das decisões e compreendem que o orçamento familiar possui limites, assimilam noções de responsabilidade que levam para a vida adulta.
Iniciativas lúdicas de conscientização, como o programa Cooperação na Ponta do Lápis — desenvolvido em parceria com a Mauricio de Sousa Produções —, utilizam personagens da Turma da Mônica para explicar de maneira acessível temas como a origem do dinheiro, orçamento doméstico e planejamento. Materiais educativos gratuitos, gibis e vídeos explicativos estão disponibilizados pelo Sicredi em sua página oficial dedicada ao projeto.
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Conteúdo publicado automaticamente pelo Portal Nortão News.