O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para o cultivo de tomate industrial irrigado no Brasil. O estudo estabelece períodos de plantio e regiões mais adequadas à cultura, considerando a probabilidade de perdas provocadas por condições meteorológicas adversas.
As informações são destinadas a produtores rurais, agentes financeiros e seguradoras e podem auxiliar no planejamento das lavouras e na tomada de decisões. O cumprimento das recomendações do zoneamento também é necessário para produtores que desejam acessar instrumentos como o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) e o crédito rural, conforme as regras aplicáveis.
Segundo os dados apresentados no estudo, o Brasil produziu 1,88 milhão de toneladas de tomate destinado ao processamento industrial em 2025. A produção abastece a agroindústria na fabricação de polpas, extratos, molhos e outros derivados.
Zoneamento é voltado ao tomate industrial irrigado
O Zarc contempla o tomate destinado ao processamento industrial, cujo sistema produtivo apresenta características mais uniformes em comparação com o tomate de mesa.
De acordo com os responsáveis pelo estudo, a produção industrial utiliza principalmente cultivares híbridas de crescimento determinado, irrigação e colheita mecanizada. Essa padronização permite estabelecer parâmetros de risco climático aplicáveis às principais regiões produtoras.
Já o tomate destinado ao consumo fresco reúne uma diversidade maior de sistemas de produção. Por isso, as lavouras voltadas ao mercado de mesa permanecem enquadradas nas diretrizes do Manual de Crédito Rural para culturas sem zoneamento publicado, conforme as regras vigentes.
Cerrado concentra a produção nacional
O cultivo de tomate para processamento industrial está concentrado principalmente no Cerrado, onde as condições climáticas favorecem a produção irrigada durante a estação seca.
Segundo os dados apresentados no material do estudo, Goiás responde por 65% da produção nacional, seguido por Minas Gerais, com 17%; São Paulo, com 16%; e Pernambuco, com 2%.
A cadeia produtiva é marcada por lavouras de grande escala, elevada mecanização e integração com as agroindústrias. O calendário de plantio na região do Cerrado costuma se concentrar entre fevereiro e meados de abril, conforme as condições locais e as orientações técnicas.
Apesar do uso da irrigação, a cultura continua sujeita a riscos relacionados a temperaturas extremas, excesso de chuva, características do solo e escolha inadequada de cultivares.
O pesquisador Marcos Braga, da Embrapa Hortaliças, explica que esses fatores podem comprometer tanto a produtividade quanto a qualidade da matéria-prima exigida pela indústria.
Temperatura e chuva influenciam a produtividade
O zoneamento considera variáveis climáticas que interferem no desenvolvimento das plantas e na formação dos frutos. Entre os fatores avaliados estão as temperaturas durante as fases mais sensíveis do ciclo e o volume de chuva no estabelecimento da lavoura, na maturação e na colheita.
O cenário considerado favorável ao desenvolvimento do tomate industrial apresenta temperaturas entre 20 °C e 27 °C. Já temperaturas elevadas durante o florescimento e a frutificação podem prejudicar a viabilidade do pólen, reduzir o pegamento dos frutos e comprometer o potencial produtivo.
De acordo com os parâmetros descritos no estudo, temperaturas máximas superiores a 35 °C durante a floração podem afetar a produtividade e a qualidade dos tomates. No outro extremo, temperaturas mínimas abaixo de 3 °C e médias inferiores a 19 °C em períodos críticos também podem prejudicar o desenvolvimento da cultura.
A chuva é outro fator determinante. Acumulados superiores a 240 milímetros nos primeiros 40 dias do ciclo podem comprometer o estabelecimento e o desenvolvimento inicial da lavoura. Já volumes acima de 90 milímetros durante a maturação e a colheita podem causar danos aos frutos e reduzir o rendimento industrial.
Zarc estabelece faixas de risco para o plantio
O estudo classifica as janelas de plantio em três níveis de risco: 20%, 30% e 40% de probabilidade de perda de produção. As recomendações são detalhadas por município, tipo de solo, duração do ciclo da cultivar e decêndio, período de dez dias utilizado no calendário agrícola.
Foram avaliados dois grupos de cultivares: aquelas com ciclo de até 120 dias e as que apresentam ciclo a partir de 121 dias.
A análise combinou informações fitotécnicas, climáticas e de solos para modelar e validar os índices de risco. O estudo também incorporou o período oficial de vazio sanitário adotado em Goiás, com o objetivo de alinhar as recomendações de plantio às medidas de prevenção e controle de pragas.
O zoneamento considera condições de manejo adequadas à cultura. Portanto, perdas relacionadas ao manejo inadequado ou à falta de controle fitossanitário não fazem parte da avaliação de risco climático.
Qualidade da matéria-prima também é considerada
Além da produtividade, o tomate destinado ao processamento industrial precisa atender a requisitos específicos de qualidade. Entre eles estão a maturação concentrada, a firmeza dos frutos, a sanidade, o teor de sólidos solúveis — medido em graus Brix — e o rendimento de polpa.
As variações de temperatura e disponibilidade de água podem interferir diretamente nessas características e, consequentemente, no aproveitamento industrial da produção.
Ao orientar o plantio conforme as condições de cada região, o Zarc busca contribuir para a redução das perdas agrícolas e para maior estabilidade no fornecimento de matéria-prima às indústrias. O estudo também pode auxiliar na identificação de novas áreas com potencial agroclimático para a expansão da cultura.
Onde consultar o zoneamento do tomate industrial
Os resultados podem ser consultados no Painel de Indicadores do Zarc, nas portarias oficiais publicadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e no aplicativo Zarc Plantio Certo, disponível para dispositivos Android e iOS.
O produtor deve verificar as recomendações específicas para seu município, tipo de solo, ciclo da cultivar e período de plantio, além das exigências aplicáveis à contratação de crédito rural e ao acesso aos programas de seguro e garantia da atividade agrícola.
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Conteúdo publicado automaticamente pelo Portal Nortão News.