
A balança comercial brasileira registrou, em outubro de 2026, o maior superávit para o mês desde o início da série histórica, em 1989. Dados divulgados nesta sexta-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram que as exportações superaram as importações em US$ 9,32 bilhões.
O resultado representa um crescimento de 39,4% em comparação com outubro de 2025, quando o saldo positivo foi de US$ 6,69 bilhões. O desempenho foi impulsionado principalmente pelas vendas externas de petróleo, combustíveis, cereais e soja.
O principal fator para o recorde foi o aumento de 20% nas exportações brasileiras, que alcançaram US$ 31,51 bilhões. As importações também cresceram, mas em ritmo menor, com alta de 14,8%, totalizando US$ 24,82 bilhões.
Indicadores da balança comercial em outubro
Além do superávit recorde, o comércio exterior brasileiro alcançou outro resultado expressivo. A corrente de comércio, que corresponde à soma das exportações e importações, chegou a US$ 56,33 bilhões, o maior valor já registrado para um mês de outubro.
- Superávit: US$ 9,32 bilhões, crescimento de 39,4%;
- Exportações: US$ 31,51 bilhões, alta de 20%;
- Importações: US$ 24,82 bilhões, aumento de 14,8%;
- Corrente de comércio: US$ 56,33 bilhões, avanço de 17,7%.
Petróleo lidera crescimento das exportações
O avanço das vendas brasileiras ao exterior foi liderado pela indústria extrativa. A agropecuária e a indústria de transformação também apresentaram resultados positivos, contribuindo para o desempenho geral do período.
Na divisão por setores, a indústria extrativa movimentou US$ 11,52 bilhões, com crescimento de 53,5% em relação a outubro do ano passado. A indústria de transformação registrou US$ 18,38 bilhões, alta de 7,7%, enquanto a agropecuária alcançou US$ 7,63 bilhões, avanço de 12,8%.
Entre os produtos com maior destaque estão:
- Indústria extrativa: petróleo bruto, com aumento de 122,6%, e minérios de metais e concentrados, com crescimento de 900,6%;
- Indústria de transformação: combustíveis, com alta de 164,5%, e farelos de soja, com avanço de 39,1%;
- Agropecuária: soja, com crescimento de 8,9%, e animais vivos, exceto pescados, com aumento de 212,1%.
Outro destaque foi a exportação de centeio e aveia, que passou de US$ 2,8 milhões para US$ 338,8 milhões. A variação percentual chegou a aproximadamente 12 mil, resultado explicado principalmente pelas diferenças no cronograma de embarques.
No caso do petróleo, o aumento da produção nacional e a valorização de 36,7% nos preços médios contribuíram para ampliar as receitas com exportações. A elevação dos preços ocorreu após o agravamento da guerra no Oriente Médio.
Exportações avançam para Estados Unidos e Europa
As vendas brasileiras cresceram na maioria dos principais mercados internacionais em outubro. O desempenho positivo também foi observado nos Estados Unidos, apesar das tensões comerciais e da aplicação de novas tarifas sobre produtos nacionais.
Na comparação com outubro de 2025, as exportações brasileiras avançaram 11,4% para o mercado norte-americano. O resultado foi favorecido pela exclusão de produtos de aviação e de itens como carne e suco de laranja das tarifas adicionais, após negociações entre os países.
Com esse desempenho, as vendas brasileiras para os Estados Unidos passaram a apresentar crescimento acumulado de 0,2% em 2026.
Na direção contrária, as exportações para a China recuaram 5,3%. Segundo as informações divulgadas, a queda está relacionada ao encerramento da cota para as vendas de carnes brasileiras ao mercado chinês.
Entre os principais destinos das exportações brasileiras, os resultados foram:
- Europa: US$ 7,76 bilhões, alta de 35,8%;
- América do Norte: US$ 5,66 bilhões, crescimento de 47,4%;
- América do Sul: US$ 4,58 bilhões, avanço de 14,9%;
- Ásia: US$ 15,41 bilhões, aumento de 9,3%.
O crescimento das vendas para a União Europeia também foi associado ao acordo com o Mercosul, que vem favorecendo as exportações brasileiras para o bloco, especialmente de produtos alimentícios.
Importações aumentam com alta dos combustíveis
As importações brasileiras somaram US$ 24,82 bilhões em outubro, crescimento de 14,8% na comparação anual. O principal fator de pressão foi a compra de combustíveis no mercado internacional, cujos preços médios subiram 84,2% em relação ao mesmo mês de 2025.
O desempenho das importações por categoria foi o seguinte:
- Bens de capital: US$ 3,7 bilhões, alta de 4%;
- Bens intermediários: US$ 15,2 bilhões, aumento de 2,7%;
- Bens de consumo: US$ 5,1 bilhões, crescimento de 25,9%;
- Combustíveis: US$ 4,5 bilhões, avanço de 86,8%.
O aumento de 84,2% nos preços dos combustíveis importados contribuiu diretamente para a expansão dos gastos brasileiros com esse grupo de produtos.
Já a aquisição de bens de capital, como máquinas e equipamentos, apresentou crescimento mais moderado. Segundo os dados apresentados, os juros elevados e a desaceleração da atividade econômica estão reduzindo o ritmo dos investimentos industriais, setor que concentra parte importante da demanda por esses equipamentos.
Saldo comercial acumulado em 2026
Entre janeiro e outubro, a balança comercial brasileira acumulou superávit de US$ 71,04 bilhões, conforme os números divulgados pelo Mdic.
No período, as exportações somaram US$ 321,88 bilhões, com crescimento de 11,2%. As importações alcançaram US$ 250,84 bilhões, alta de 6,1%.
O saldo comercial informado no balanço acumulado foi de US$ 62,4 bilhões, com aumento de 34,1% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. Os valores de saldo apresentados no acumulado, conforme a divulgação original, apresentam diferença em relação à subtração entre os totais de exportações e importações.
Governo revisa projeções para o comércio exterior
Em outubro, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços reduziu sua estimativa para o superávit comercial brasileiro em 2026. A projeção passou de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões.
Mesmo com a revisão, o resultado esperado seria o segundo maior saldo anual desde o início da série histórica, em 1989. O desempenho ficaria atrás apenas de 2023, quando o superávit alcançou US$ 98,8 bilhões.
A estimativa para as exportações também foi reduzida, passando de US$ 394,4 bilhões para US$ 382,5 bilhões. Para as importações, a previsão caiu de US$ 304,4 bilhões para US$ 298,1 bilhões.
Apesar da revisão, a expectativa do governo permanece acima da projeção do mercado financeiro. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal divulgada pelo Banco Central, os analistas estimam que o Brasil encerre 2026 com superávit comercial de US$ 79,9 bilhões.
Fonte: Agência Brasil. Informações baseadas nos dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
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