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Uma das marcas mais conhecidas do varejo brasileiro atravessa uma das fases mais delicadas de sua história. O Grupo Casas Bahia protocolou no domingo (16) um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo, declarando um passivo de R$ 17,3 bilhões.
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O processo foi apresentado à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo e envolve dez empresas ligadas ao grupo, entre elas as operações das marcas Casas Bahia e Ponto Frio, além da Extra.com, da fabricante de móveis Bartira e de empresas das áreas de logística e tecnologia.
A dimensão da crise aparece também no balanço financeiro. Entre abril e junho, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões, resultado muito superior à perda registrada no mesmo período do ano anterior. O grupo acumula, ainda, oito trimestres consecutivos de prejuízo e encerrou o período com patrimônio líquido negativo em R$ 8,1 bilhões.
Apesar do número expressivo, boa parte desse prejuízo está relacionada a efeitos contábeis. Aproximadamente R$ 9,1 bilhões do resultado negativo vieram de ajustes não recorrentes. Mesmo desconsiderando esses efeitos, porém, a operação continuou no vermelho, com prejuízo ajustado próximo de R$ 978 milhões.
Dívida bilionária
Do total declarado pela companhia, cerca de R$ 16,4 bilhões correspondem a dívidas com credores sem garantia. Outros R$ 754 milhões são classificados como débitos trabalhistas, enquanto R$ 154 milhões envolvem microempresas e empresas de pequeno porte.
A recuperação judicial acontece pouco mais de dois anos depois de a Casas Bahia concluir uma recuperação extrajudicial que havia reorganizado R$ 4,8 bilhões em dívidas financeiras. A nova tentativa de reestruturação mostra que as medidas adotadas anteriormente não foram suficientes para eliminar a pressão sobre o caixa da companhia.
Entre os fatores apontados para o agravamento da situação estão juros elevados, restrição de crédito, aumento dos custos financeiros e dificuldades no consumo. A empresa também relaciona parte dos problemas a investimentos realizados desde 2019 em tecnologia, logística e digitalização, além dos impactos provocados pela pandemia.
Lojas fechadas e milhares de demissões
A reestruturação já começou a atingir diretamente a estrutura da empresa. A Casas Bahia anunciou o fechamento de quase 300 lojas e a demissão de aproximadamente 3 mil funcionários. No fim do segundo trimestre, o grupo possuía 30.117 colaboradores.
As medidas fazem parte de uma estratégia para reduzir custos e tornar a operação menor e mais voltada à geração de caixa. Segundo o comando da empresa, a recuperação judicial deve ser utilizada como instrumento para reorganizar as obrigações e preservar a continuidade do negócio.
O impacto já chegou ao mercado financeiro. As ações da companhia despencaram no primeiro pregão após o anúncio da recuperação judicial, chegando a registrar queda superior a 30% nesta segunda-feira (17). No acumulado de 2026, os papéis já haviam perdido grande parte de seu valor.
O desafio agora
Mais do que renegociar os R$ 17,3 bilhões em obrigações, a Casas Bahia precisa garantir recursos para continuar funcionando. A companhia busca, inclusive, um financiamento de aproximadamente R$ 1 bilhão para recompor estoques e manter a operação durante o processo de reestruturação.
A recuperação judicial não representa o encerramento imediato das atividades. O mecanismo permite que a empresa negocie suas dívidas sob proteção judicial enquanto tenta manter as operações e reconstruir sua capacidade financeira.
Para uma companhia que se tornou parte da história do varejo brasileiro, o momento representa uma mudança profunda de estratégia. A Casas Bahia agora tenta sobreviver a uma combinação de endividamento elevado, crédito caro, prejuízos consecutivos e redução da própria estrutura, em busca de um caminho para continuar de portas abertas.
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Conteúdo publicado automaticamente pelo Portal Nortão News.