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13 de setembro de 2026 🗓️

China muda de posição e acende alerta para Mato Grosso no mercado global de frango

Durante décadas, a relação comercial entre Brasil e China seguiu um roteiro relativamente previsível: os chineses compravam grandes volumes de soja e milho produzidos em estados como Mato Grosso, transformavam parte desses grãos em proteína animal e abasteciam seu gigantesco mercado consumidor. Agora, essa dinâmica começa a mudar — e pode trazer consequências importantes para o agronegócio mato-grossense.

Um estudo recente do Rabobank aponta que a China deixou de ser apenas uma grande compradora de carne de frango para se tornar exportadora líquida do produto em 2025. Mais do que uma mudança estatística, o movimento representa uma transformação estratégica que poderá alterar o equilíbrio do comércio internacional de proteínas ao longo da próxima década.

Para Mato Grosso, o tema vai muito além da avicultura. O avanço chinês coloca em debate o futuro do modelo econômico do Estado e a necessidade de agregar mais valor à gigantesca produção de grãos.

O novo concorrente surge do outro lado da mesa

A China ampliou sua produção de carne de frango em mais de 9% apenas no primeiro semestre deste ano e deverá atingir cerca de 17,3 milhões de toneladas em 2026, superando a produção brasileira.

Embora o Brasil continue liderando com folga as exportações mundiais, os números mostram uma tendência que começa a ganhar força. Enquanto os frigoríficos brasileiros exportaram aproximadamente 5,3 milhões de toneladas em 2025, a China já ultrapassou a marca de 1 milhão de toneladas embarcadas.

O que chama atenção dos analistas é a velocidade dessa transformação.

Em poucos anos, o país asiático passou da condição de importador para exportador líquido, apoiado por investimentos em tecnologia, genética, automação, modernização de plantas industriais e ganhos de escala.

O desafio vai além dos frigoríficos

O impacto potencial não se limita aos grandes exportadores brasileiros.

Mato Grosso produz anualmente dezenas de milhões de toneladas de milho e soja, justamente os dois principais ingredientes utilizados na fabricação de ração para aves.

Por isso, especialistas avaliam que a questão central não é apenas a concorrência no mercado de carne, mas o destino dos grãos produzidos dentro do Estado.

Hoje, grande parte da safra mato-grossense segue para exportação in natura ou percorre milhares de quilômetros até centros consumidores e portos brasileiros.

A transformação desses grãos em proteína animal dentro do próprio Estado é vista por economistas e representantes do setor produtivo como uma das principais oportunidades para ampliar a industrialização regional.

Vantagem competitiva existe, mas não é suficiente

Mato Grosso possui um diferencial difícil de ser replicado por muitos concorrentes globais: abundância de milho e soja próximos das áreas de produção.

Essa característica reduz parte dos custos logísticos da cadeia produtiva e cria condições favoráveis para a instalação de granjas, fábricas de ração e frigoríficos.

Entretanto, especialistas alertam que competitividade não depende apenas do custo da alimentação animal.

Energia elétrica, mão de obra qualificada, infraestrutura logística, acesso aos portos, sanidade animal, crédito e abertura de mercados internacionais também influenciam diretamente o resultado final.

É justamente nesses fatores que estados do Sul ainda mantêm larga vantagem.

Mato Grosso ainda busca espaço na avicultura

Os números do IBGE mostram que o Estado continua distante dos líderes nacionais.

Em 2025, o Brasil bateu recorde histórico com o abate de 6,69 bilhões de frangos. Mato Grosso respondeu por aproximadamente 3% desse volume.

Enquanto isso, o Paraná concentrou sozinho 34,4% dos abates nacionais, seguido por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

O dado demonstra que possuir grãos em abundância não garante, automaticamente, liderança na produção de proteína animal.

Por outro lado, também revela uma ampla margem para crescimento.

Exportações crescem, mas competição aumenta

Apesar da participação ainda modesta, Mato Grosso já ocupa posição relevante entre os estados exportadores de carne de frango.

Os embarques continuam avançando e acompanham o bom momento vivido pelo setor nacional.

O Brasil registrou recordes históricos de exportação no primeiro semestre de 2026. Apenas em junho foram embarcadas 482,8 mil toneladas, gerando receita de US$ 985,5 milhões. Em julho, o país voltou a ultrapassar a marca de meio milhão de toneladas exportadas.

Esse crescimento demonstra que não existe ameaça imediata à liderança brasileira.

O alerta está no horizonte.

A entrada da China como fornecedora internacional pode aumentar a disputa por compradores em mercados considerados estratégicos para o Brasil, especialmente no Oriente Médio, na África e em diversos países da Ásia.

A grande questão para Mato Grosso

A ascensão chinesa acaba levantando uma discussão que vem ganhando força dentro do agronegócio mato-grossense: qual será a próxima etapa do desenvolvimento econômico do Estado?

Continuar exportando principalmente matéria-prima ou ampliar a transformação local desses grãos em proteína animal, biocombustíveis e produtos industrializados?

A resposta pode definir o posicionamento de Mato Grosso nos próximos anos.

Se a China está utilizando soja e milho para produzir mais carne e disputar mercados globais, cresce a pressão para que estados produtores de grãos avancem na mesma direção.

Mais do que uma disputa entre frigoríficos, o movimento chinês reforça um debate estratégico sobre industrialização, geração de empregos e agregação de valor dentro das porteiras.

E, nesse cenário, Mato Grosso pode estar diante de uma das decisões econômicas mais importantes de sua próxima década.

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Conteúdo publicado automaticamente pelo Portal Nortão News.

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