Resumo: A demissão do marqueteiro da campanha de Adailton Fúria, a menos de um mês das eleições, abriu uma sequência de discussões nos bastidores políticos de Rondônia. Além da saída do publicitário João Kalache, informações apuradas pelo Eu Ideal apontam para insatisfação dentro do PSD com a distribuição de recursos eleitorais e para movimentos que buscariam construir uma imagem de afastamento entre Fúria e o governador Marcos Rocha. Apesar das especulações, não há, até o momento, um rompimento político oficialmente anunciado entre os dois.
EUIDEAL – Os últimos dias trouxeram movimentações importantes para os bastidores da campanha de Adailton Fúria (PSD) ao Governo de Rondônia. A primeira delas ocorreu na noite de quinta-feira (3), quando o candidato dispensou o publicitário João Kalache, responsável pelo marketing de sua campanha.
Kalache chegou a Rondônia com experiência em disputas eleitorais fora do estado. Entre os trabalhos anteriores estão campanhas no Rio de Janeiro, incluindo a candidatura de Felipe Santa Cruz ao governo fluminense, além de trabalhos relacionados a disputas municipais em Niterói e outras cidades.
A proposta do profissional na campanha de Fúria passava pela construção de uma comunicação capaz de explorar o perfil popular do candidato. Sua saída, entretanto, aconteceu de forma repentina e gerou apreensão entre pessoas que trabalham na campanha.
Informações obtidas pelo Eu Ideal junto a pessoas ligadas ao grupo apontam que divergências sobre a condução da comunicação teriam pesado na decisão. Fúria é descrito nos bastidores como um político centralizador e interessado em participar diretamente das escolhas estratégicas de suas campanhas.
A saída aconteceu ainda após o debate da Rema TV, marcado por um confronto entre Fúria e Marcos Rogério (PL). Durante o programa, o candidato do PSD fez uma acusação relacionada a cerca de R$ 14 milhões destinados ao projeto do Museu da Bíblia, em Brasília.
Posteriormente, a Frente Parlamentar Evangélica contestou a forma como a informação foi apresentada e afirmou que o valor individualmente destinado por Marcos Rogério era muito inferior ao montante mencionado, sendo o restante resultado de recursos de outros parlamentares. A repercussão abriu uma frente de desgaste justamente no eleitorado evangélico, segmento de grande peso político em Rondônia.
Apesar das interpretações sobre o episódio, Kalache já negou que sua saída tenha ocorrido especificamente por causa do desempenho de Fúria no debate ou da controvérsia envolvendo o Museu da Bíblia.
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Outro ponto acompanhado pelo Eu Ideal envolve a situação dos candidatos do PSD e os recursos destinados às campanhas proporcionais. Dados consultados até esta sexta-feira (4) mostram diferenças significativas entre os valores recebidos pelos integrantes da legenda.
Segundo o levantamento realizado pelo portal, Jaqueline Cassol recebeu R$ 1 milhão em recursos eleitorais, enquanto Evanildo, pai de Marcelo Cruz, e Rosária Helena receberam R$ 800 mil cada. Fernando Vilas e Daniel Mitidieri aparecem com R$ 100 mil cada. Outros nomes ainda não apresentavam, até a consulta realizada, registro de recursos eleitorais nos mesmos moldes.
Conversas do Eu Ideal com candidatos da legenda também revelaram insatisfação com a condução partidária. Parte das críticas passou a ser direcionada ao governador Marcos Rocha, atual presidente estadual do PSD.
Entretanto, informações apuradas nos bastidores indicam que a influência sobre as decisões partidárias não estaria concentrada exclusivamente no governador. Expedito Júnior, que mantém interlocução com a direção nacional do PSD, é apontado como uma das figuras de maior peso nas articulações internas da sigla em Rondônia.
É nesse contexto que outro movimento passou a chamar atenção: um possível distanciamento político entre Fúria e Marcos Rocha.
Pessoas ligadas ao grupo político e integrantes do governo passaram a interpretar exonerações recentes e discursos internos como parte de uma tentativa de construir a percepção de que Fúria estaria seguindo um caminho independente do governador.
A avaliação feita por fontes ouvidas pelo Eu Ideal é de que esse afastamento seria estrategicamente interessante para setores da campanha que desejam evitar que Fúria seja identificado como candidato de continuidade do atual governo.
Até agora, porém, não existe rompimento oficialmente anunciado entre Adailton Fúria e Marcos Rocha. Por isso, qualquer afirmação sobre uma separação política definitiva entre os dois deve ser tratada como movimentação de bastidores.
O assunto também começa a provocar desconforto entre setores da própria administração estadual. Parte dos ocupantes de cargos comissionados estaria se aproximando da candidatura de Fúria diante da expectativa de continuidade no governo caso o candidato seja eleito.
Essa expectativa, contudo, encontra uma disputa natural por espaço dentro de qualquer eventual nova administração. A campanha reúne grupos políticos com capacidade própria de articulação, entre eles lideranças ligadas a Marcelo Cruz e Jair Montes, que também possuem influência partidária e experiência na composição de espaços políticos.
Assista.
A menos de um mês da votação, a questão que começa a ganhar força nos bastidores é justamente até onde vai o apoio de Marcos Rocha a Fúria e se o aparente distanciamento representa uma ruptura verdadeira ou apenas uma estratégia eleitoral para desvincular o candidato da atual administração.
Por enquanto, os movimentos observados indicam mudança de estratégia, disputa por espaço e tensão interna. A existência de uma briga efetiva entre governador e candidato, porém, não está comprovada.
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Conteúdo publicado automaticamente pelo Portal Nortão News.