
A inflação no Brasil perdeu força no fechamento de outubro de 2026. O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) avançou 0,32%, abaixo da alta de 0,67% registrada no fim de setembro. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (3) pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
O resultado também representa uma desaceleração em relação à terceira quadrissemana de outubro, quando o indicador havia subido 0,46%. Apesar do avanço menor, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,14%.
A redução no ritmo de alta foi influenciada principalmente pelos grupos Habitação e Alimentação. Entre os oito segmentos analisados pela FGV, seis apresentaram taxas menores na comparação com a leitura anterior.
O que ficou mais barato em outubro?
O grupo Habitação apresentou a mudança mais significativa. A taxa passou de uma alta de 0,16% para uma queda de 0,16%, ajudando a reduzir o resultado geral da inflação.
Um dos principais destaques foi a energia elétrica residencial, cuja variação passou de -1,69% para -2,41%. Isso indica uma queda mais intensa nas tarifas pesquisadas.
Outros itens também registraram redução. O leite longa vida saiu de uma alta de 0,60% para uma queda de 1,28%. Já o seguro facultativo de veículos apresentou recuo de 3,48%.
Esses resultados representam médias observadas pela pesquisa da FGV. Portanto, os preços podem variar conforme a região, o estabelecimento e as condições de compra de cada consumidor.
Tomate e cebola continuam pressionando os preços
Apesar da desaceleração da inflação, alguns alimentos continuaram mais caros em outubro. O grupo Alimentação passou de uma alta de 1,08% para 0,85%. Isso significa que os preços seguiram subindo, mas em ritmo menor.
Entre os produtos com maiores aumentos estão:
- Tomate: alta de 16,82%;
- Cebola: aumento de 11,34%.
Os números mostram que a redução da inflação não ocorreu de maneira uniforme. Mesmo com a perda de força do indicador, determinados produtos continuaram pesando no orçamento das famílias.
Passagens aéreas também ficaram mais caras
O grupo Transportes desacelerou de 0,34% para 0,19%. Ainda assim, alguns serviços apresentaram aumentos expressivos durante o período.
As passagens aéreas tiveram alta de 8,12%, figurando entre as maiores pressões individuais sobre o IPC-S no fechamento de outubro.
Outro destaque foi o grupo Educação, Leitura e Recreação, cuja taxa passou de 0,90% para 1,05%. Comunicação também acelerou, saindo de 0,02% para 0,03%.
Veja a variação dos grupos de preços
A comparação entre a terceira e a quarta quadrissemana de outubro mostra como os diferentes setores influenciaram o resultado da inflação:
- Habitação: de 0,16% para -0,16%;
- Alimentação: de 1,08% para 0,85%;
- Transportes: de 0,34% para 0,19%;
- Vestuário: de 0,28% para 0,13%;
- Saúde e cuidados pessoais: de 0,28% para 0,27%;
- Despesas diversas: de -0,02% para -0,03%;
- Educação, leitura e recreação: de 0,90% para 1,05%;
- Comunicação: de 0,02% para 0,03%.
Fonte: FGV IBRE. Dados referentes à terceira e à quarta quadrissemana de outubro de 2026.
O que é o IPC-S e como o índice é calculado?
O Índice de Preços ao Consumidor Semanal é calculado pela Fundação Getulio Vargas e acompanha as mudanças nos preços de produtos e serviços consumidos pelas famílias.
A pesquisa considera famílias com renda mensal entre um e 33 salários mínimos. O levantamento reúne informações de sete capitais brasileiras: Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador.
Por ter divulgação semanal, o IPC-S permite acompanhar mudanças no custo de vida em intervalos menores. O indicador também ajuda a identificar quais despesas estão pressionando ou aliviando o orçamento doméstico.
IPC-S e IPCA são indicadores diferentes
Embora os dois índices acompanhem a variação de preços, o IPC-S e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) possuem metodologias e instituições responsáveis diferentes.
O IPC-S é produzido pela FGV. Já o IPCA é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e é considerado o indicador oficial da inflação brasileira.
Até esta terça-feira (3), o último resultado disponível do IPCA era o de setembro de 2026, quando a inflação oficial registrou alta de 0,82%. A divulgação do índice referente a outubro está prevista para 12 de novembro, conforme o calendário do IBGE.
Por isso, a desaceleração observada no IPC-S não representa o resultado definitivo da inflação oficial de outubro.
Inflação menor não significa queda generalizada dos preços
O resultado de outubro indica que os preços pesquisados pela FGV aumentaram em ritmo menor. No entanto, isso não significa que os produtos e serviços ficaram mais baratos de forma geral.
Como o IPC-S registrou alta de 0,32%, a variação média continuou positiva. Na prática, a inflação desacelerou, mas o custo de vida ainda apresentou aumento. A queda em itens como energia elétrica e leite longa vida ajudou a conter o índice, enquanto alimentos como tomate e cebola e serviços como passagens aéreas continuaram pressionando os gastos das famílias.
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