O que você precisa saber
- Lula classificou como “dois grandes serviços à democracia” a atuação de Alexandre de Moraes no TSE em 2022 e na condução dos processos do 8 de Janeiro.
- A fala foi uma resposta a críticas do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao ministro do STF.
- Lula negou ter indicado Moraes ao STF, lembrando que a nomeação partiu do governo Michel Temer, em 2017.
- O presidente defendeu que qualquer pessoa que tenha cometido erro seja julgada, “inclusive” o próprio Moraes, caso se comprove alguma irregularidade.
Em meio à turbulência que atinge o Supremo Tribunal Federal desde que vieram a público mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu se posicionar publicamente sobre o magistrado. Em participação no podcast “Desce a Letra”, nesta terça-feira (16), Lula classificou como “dois grandes serviços à democracia brasileira” a atuação de Moraes à frente do Tribunal Superior Eleitoral durante o pleito de 2022 e sua condução dos processos relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
A declaração surgiu como resposta a críticas feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) ao ministro. Segundo a leitura apresentada por Lula, o incômodo do senador com Moraes não teria relação com o caso Banco Master, mas sim com o fato de o ministro ter determinado a prisão do pai do senador, o ex-presidente Jair Bolsonaro, além de outros investigados pela tentativa de golpe.
Ao tratar da origem da indicação de Moraes ao STF, Lula fez questão de esclarecer que a nomeação não partiu de seu governo.
“Eu não era presidente quando o Alexandre de Moraes foi indicado” — Lula, em referência à nomeação do ministro ao STF em 2017, durante o governo de Michel Temer
Apesar dos elogios à trajetória de Moraes no TSE e no julgamento dos atos de 8 de janeiro, Lula evitou transformar a fala em uma defesa incondicional do ministro. Ele defendeu que o processo em curso sobre as mensagens com o banqueiro seja conduzido com garantias plenas de defesa e citou que a responsabilização deve valer para qualquer pessoa que tenha cometido irregularidades, independentemente do cargo que ocupe. Segundo o presidente, “todo mundo que cometeu erro, em qualquer área, tem que ser julgado”, ressalva que, de acordo com sua fala, inclui o próprio Moraes caso se comprove alguma falha de conduta.
A repercussão da fala de Lula ocorre em um momento sensível para o Judiciário. O episódio das mensagens entre Moraes e Vorcaro, tornadas públicas após decisão do ministro André Mendonça, já provocou sessões tensas no plenário do STF e alimenta o debate sobre até que ponto ministros da Corte devem prestar contas por sua conduta em meio a investigações sensíveis, como já mostraram as votações recentes sobre a tramitação dos processos ligados ao caso.
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