O que você precisa saber
- Professores da rede municipal de Cacoal iniciaram nesta terça-feira (8) uma greve por tempo indeterminado.
- O Sinsemuc notificou formalmente o prefeito Tony Pablo e o procurador-geral do município antes do início da paralisação.
- O impasse gira em torno do reajuste de 5,4% do piso nacional do magistério, obrigatório desde janeiro deste ano.
- Segundo a categoria, a Prefeitura não apresentou proposta concreta para o reajuste, o que motivou a decisão pela greve geral.
A rede municipal de ensino de Cacoal amanheceu nesta terça-feira (8) sem aulas. A partir das 7h30, professores e demais profissionais da educação deram início a uma greve por tempo indeterminado, decisão que marca o ponto mais tenso de um embate que já se arrasta havia meses entre a categoria e a Prefeitura.
A mobilização foi aprovada em assembleia no fim de agosto e formalizada por meio do Ofício nº 156/2026, enviado pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cacoal (Sinsemuc) tanto ao prefeito Tony Pablo quanto ao procurador-geral do município, Caio Raphael Ramalho Veche e Silva, responsável por coordenar as negociações com o Executivo. Um ato está previsto para reunir a categoria na Praça Municipal, e o alcance da adesão só deve ficar claro ao longo do dia, à medida que escolas confirmarem o funcionamento ou não das atividades.
Ficha do caso
- Início da greve: terça-feira (8), 7h30
- Duração: tempo indeterminado
- Organização: Sinsemuc (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cacoal)
- Reivindicação central: reajuste de 5,4% do piso nacional do magistério, obrigatório desde 1º de janeiro de 2026
- Categoria afetada: mais de 500 profissionais da educação municipal
Uma disputa que começou em janeiro
Por trás da paralisação está uma disputa que começou ainda no início do ano. Desde 1º de janeiro, está em vigor a obrigação legal de reajustar o piso nacional do magistério em 5,4%, ajuste que, segundo o sindicato, representaria um acréscimo de cerca de R$ 300 mil na folha custeada pelo Fundeb — valor considerado insuficiente para comprometer as contas do município, na avaliação da entidade.
As primeiras mobilizações começaram em junho, quando uma assembleia realizada no Plenário Senador Ronaldo Aragão decidiu por atos e paralisações pontuais como forma de pressão. Na ocasião, o presidente do Sinsemuc, Fernando Neves, resumiu o objetivo da estratégia: “A assembleia deliberou que faremos atos de protesto, movimentos e paralisações, levando à sociedade o porquê de estarmos parando.”
“A insatisfação é grande. Esperamos ser reconhecidos pelos índices que conseguimos elevar dentro do município.” — Wesley Mariano, professor da rede municipal
Já o servidor Aparecido José da Silva questionava, na mesma ocasião, a alegação de dificuldade orçamentária por parte da gestão: “O prefeito está sofrendo um desgaste desnecessário, porque o dinheiro está lá para pagar. Isso vai acrescentar cerca de trezentos mil reais a mais.”
Em julho, durante um novo dia de paralisação, o prefeito Tony Pablo rebateu as cobranças publicamente, afirmando que “Cacoal já paga o piso nacional” e acusando o sindicato de tentar “induzir e criar uma narrativa para enganar a população”. Ainda assim, reconheceu a reivindicação como legítima, mas alegou falta de condições financeiras para atendê-la de imediato, citando a necessidade de manter o equilíbrio orçamentário entre os mais de 3 mil servidores municipais.
Proposta em branco e escalada do conflito
O impasse chegou a um novo patamar em agosto, quando a Prefeitura enviou ao sindicato o Ofício nº 171/PGM/2026 em resposta às cobranças — documento que, segundo a categoria, não trazia nenhuma proposta concreta de reajuste, cronograma de pagamento ou saída financeira para o imbróglio. A ausência de uma contraproposta efetiva foi apontada pelo sindicato como o estopim para a decisão, tomada em assembleia na Câmara de Vereadores, de deflagrar a greve geral por tempo indeterminado.
Do ponto de vista jurídico, o sindicato argumenta que a manutenção do descumprimento de uma lei federal, somada à ausência de proposta formal de negociação, caracterizaria conduta que, segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal citado pela categoria, impediria a Prefeitura de realizar cortes no ponto dos servidores durante o movimento.
Nota da redação
Até a publicação desta matéria, a gestão municipal não havia se manifestado sobre o início da paralisação desta terça-feira. O Portal Eu Ideal segue apurando o posicionamento da Prefeitura de Cacoal e atualizará o conteúdo assim que houver retorno.
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