Conteúdo/ODOC – Os servidores públicos Fernando Dante Morari, Júlio Henrique Verdu Garcia, Valdinei Monteiro da Silva e Agnaldo Rael da Silva, além da empresária Débora Alvarenga Nakanishi da Silva, foram os cinco presos na Operação Mãos à Obra – Fase II, deflagrada nesta quarta-feira (28) pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), em Sinop (a 500 km de Cuiabá).
Fernando e Júlio são engenheiros civis da Prefeitura de Sinop, enquanto Valdinei e Agnaldo também integram o quadro de servidores públicos. Já Débora é sócia da Dnishi Empreendimentos Imobiliários Ltda., empresa que também está entre os alvos da investigação.
A operação apura um suposto esquema de corrupção envolvendo agentes públicos e empresários para facilitar a aprovação de projetos imobiliários, a emissão de licenças e a regularização de empreendimentos no município.
A ofensiva do Gaeco também teve como alvos profissionais ligados à construção civil e ao mercado imobiliário, que foram submetidos a mandados de busca e apreensão.
Entre eles estão as arquitetas Bruna Maia de Freitas e Grazielly Stolarski, o fiscal de obras Samuel de Sousa Vieira e os engenheiros civis Charles Correia da Costa e Laércio Ronei Schorr, este último também corretor de imóveis.
Os empresários Danielle da Silva Otaviano Garcia e Felipe Gabriel Russo também aparecem na relação de investigados, assim como Roni de Souza, que atua como engenheiro civil, empresário e agente penitenciário.
A lista de alvos de busca e apreensão inclui ainda Antônio Benedito Rodrigues e a empresa Dnishi Empreendimentos Imobiliários Ltda.
Suspeita de propina
Conforme as investigações, servidores públicos teriam exigido e recebido vantagens indevidas para favorecer empresários em procedimentos administrativos da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação de Sinop.
As suspeitas envolvem desde a emissão de pareceres técnicos até a aprovação de projetos, concessão de licenças e certificados, além de possíveis interferências em fiscalizações.
De acordo com o Gaeco, as irregularidades investigadas teriam ocorrido ao longo de nove anos, entre 2017 e 2026.
Para aprofundar as apurações, a Justiça autorizou cinco mandados de prisão preventiva e buscas e apreensões contra 17 alvos. Também determinou o afastamento de seis agentes públicos de suas funções.
Uma empresa investigada teve suas atividades econômicas e financeiras suspensas por determinação judicial.
Bloqueio milionário
A operação também atingiu o patrimônio dos investigados. A Justiça autorizou o bloqueio de R$ 80 milhões de um grupo de suspeitos e de uma pessoa jurídica.
Em relação aos demais alvos, foi determinado o sequestro de ativos financeiros de até R$ 3 milhões por investigado, além de imóveis pertencentes a um dos envolvidos.
Durante o cumprimento dos mandados, os agentes recolheram dinheiro em espécie e bens de alto valor vinculados a empresários suspeitos de participação no esquema.
Segundo o Gaeco, as medidas patrimoniais têm como objetivo impedir a transferência ou ocultação de bens e assegurar recursos para eventual ressarcimento aos cofres públicos.
As investigações seguem em andamento. O órgão destacou que as medidas cautelares não representam condenação e que todos os investigados têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência.
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