Primeiro réu pela morte do advogado Renato Nery vai a júri em Cuiabá; filha da vítima é substituída após abalo emocional


O caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva, denunciado como autor dos disparos que mataram o advogado Renato Gomes Nery em 6 de julho de 2024, será julgado nesta quarta-feira (15), a partir das 9h, no Fórum de Cuiabá. Ele é o primeiro dos seis denunciados pelo crime a sentar no banco dos réus.

Decisão de quinta-feira (9) do juiz Marcos Faleiros da Silva, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, acatou o pedido do Ministério Público (MPMT) pela substituição de oitiva de uma das filhas do advogado assassinado que será ouvida durante o júri junto de outras testemunhas.

Alex Roberto é apontado como autor dos disparos que mataram o advogado Renato Gomes Nery. – Foto: Reprodução

Lívia Nery deve depor no lugar de Renata Nery, pois a irmã encontra-se em tratamento psicológico desde os fatos, tendo recomendação da profissional responsável para que não seja exposta a situações capazes de agravar seu estado emocional, conforme laudo psicológico apresentado no processo.

Ao analisar o laudo, o magistrado avaliou que caso Renata preste depoimento em plenário corre risco de agravamento do quadro emocional, circunstância que autoriza a substituição sem prejuízo ao ato, pois Lívia, que deve substitui-la, possui a mesma proximidade com os fatos e com a vítima, o pai das duas.

Com isso, foi determinado o deferimento da substituição e intimação de Lívia para que participe do ato.

Renata e Lívia Nery, respectivamente, filhas do advogado Renato Nery, morto em 5 de julho de 2024. – Foto: RDNews

Durante o julgamento serão ouvidas cinco testemunhas de acusação: os delegados Bruno Sérgio Magalhães Abreu e Caio Fernando de Albuquerque, responsáveis pelas investigações; o escrivão Davi Padilha Nogueira; Kaster Huttner Garcia; e Lívia Moreira Gomes Nery, filha da vítima.

Outros réus pelo crime já foram pronunciados a júri popular, mas ainda não tiveram datas agendadas.

Julgamento do primeiro réu

Conforme a denúncia do MPMT, Renato Gomes Nery foi vitima de homicídio planejado, financiado e executado mediante pagamento, com relação uma disputa judicial por uma propriedade rural em Novo São Joaquim (MT).

Testemunhas de acusação começaram a ser ouvidas na 14ª Vara Criminal; juiz decidirá se réus vão a júri popular - Foto: Adia Borges.
Renato Nery foi executado devido a processo que envolve disputa de terras. – Foto: Reprodução

Alex Roberto teria sido pago pela empresária Julinere Goulart Bastos e o marido César Jorge Sechi, por intermédio do policial militar Heron Teixeira Pena Vieira, e com participação dos também militares Ícaro Nathan Santos Ferreira e Jackson Pereira Barbosa, para executar o crime.

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Casal de empresários, caseiro e três policiais militares foram denunciados pela morte de Renato Nery. – Foto: Primeira Página

Conforme as investigações, no dia 5 de jullho de 2024, Alex Roberto efetuou os disparos no momento em que Renato chegava no escritório, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. A ação foi registrada por câmeras de segurança.

Em seguida, ele fugiu em uma motocicleta. Renato foi socorrido com vida e encaminhado a um hospital da capital. Contudo, faleceu no dia seguinte, após passar por um procedimento cirúrgico.

A investigação da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) concluiu que Alex teria sido recrutado pelo policial militar da Rotam, Heron Teixeira Pena Vieira, apontado como um dos intermediários da execução.

Para a polícia, o assassinato foi motivado por uma disputa judicial envolvendo uma propriedade rural em Novo São Joaquim (MT). O crime teria sido motivado sob promessa de pagamento de R$ 200 mil.

O MP afirma que os réus monitoraram a rotina da vítima antes da execução. Após o crime, Alex teria tentado destruir provas ao queimar objetos utilizados, além de trocar diversas vezes de celular. A dupla também escondeu a motocicleta utilizada na fuga.

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Cesar Jorge Sechi e Julinere Goulart Bastos, apontados como mandantes da morte de Renato Nery. – Foto: Primeira Página

Segundo a denúncia, o casal Julinere Goulart Bastos e César Jorge Sechi, apontados como mandantes do homicídio, teriam decidido eliminar Renato Nery após sofrer derrota em um processo conduzido pelo advogado que teria provocado prejuízos financeiros expressivos a eles.

Para viabilizar o crime, o casal contratou os policiais militares Jackson Pereira Barbosa, Ícaro Nathan Santos Ferreira e Heron Teixeira Pena Vieira. Eles seriam responsáveis por organizar a execução, recrutar o atirador, intermediar pagamentos e fornecer a arma.

Julinere, César e os três policiais militares permanecem presos preventivamente e também responderão por homicídio qualificado perante o Tribunal do Júri.

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Delegado Bruno Abreu mostra arma utilizada no homicídio de Renato Nery em coletiva de imprensa. – Foto: Reprodução

Além deles, estão presos também outros 4 policiais militares: Jorge Rodrigo Martins, Leandro Cardoso, Waison Alesandro e Wekcerlley Benevides de Oliveira. Eles foram denunciados pelo Ministério Público (MPMT) por fraude processual, porte ilegal de arma, tentativa de homicídio e homicídio qualificado.

De acordo com o MP, eles são acusados de forjar um suposto confronto para ocultar arma de fogo usada no assassinato do advogado. O confronto ocorreu em 12 de julho de 2024, após denúncia de roubo de um veículo Gol. Os 4 alegaram troca de tiros com três suspeitos, no Contorno Leste, em Cuiabá.

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Suposto confronto ocorreu após denúncia de roubo de um Gol, em 12 de julho de 2024, no Contorno Leste. – Foto: Reprodução

Na ocorrência um rapaz foi baleado e morto e houve ainda tentativa de homicídio contra outros dois. Segundo os militares, uma arma teria sido apreendida em posse de um dos suspeitos. Contudo, a viatura não foi atingida pelos tiros e a cena foi manipulada para inserir a pistola.

A perícia constatou por meio de laudos periciais balísticos que a arma apreendida era a mesma usada uma semana antes no assassinato do advogado Renato Gomes Nery. Análise de troca de mensagens extraídas de celulares dos réus indicaram obstrução da justiça e coordenação de versões entre eles.

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