A candidata ao Senado por Rondônia Neidinha Suruí (PSB) prestou declarações nesta sexta-feira (21) ao Ministério Público Eleitoral, em Porto Velho, dentro de uma apuração que busca esclarecer possíveis episódios de violência política de gênero relacionados à sua candidatura nas eleições de 2026.
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O procedimento tramita no 20º Ofício Eleitoral de Porto Velho, por meio da Notícia de Fato nº 2026.0001.012.78681. A investigação foi aberta em caráter preliminar e pretende reunir informações sobre acontecimentos envolvendo decisões e atos partidários que teriam afetado a candidatura de Neidinha.
Denúncia cita João Campos
Na representação apresentada ao Ministério Público, Neidinha Suruí atribui ao candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), uma suposta articulação para retirar sua candidatura ao Senado.
A alegação faz parte do conjunto de fatos que serão analisados pelo órgão eleitoral. Neste momento, entretanto, não há conclusão do Ministério Público sobre a existência de irregularidade ou sobre eventual responsabilidade dos envolvidos.
A apuração considera a possibilidade de enquadramento das condutas no artigo 326-B do Código Eleitoral, dispositivo relacionado à violência política contra a mulher.
MP apura sequência dos acontecimentos
Entre os pontos que deverão ser esclarecidos está a cronologia dos acontecimentos desde a escolha de Neidinha para disputar o Senado durante a convenção partidária.
O Ministério Público também pretende verificar quais decisões foram tomadas posteriormente, como a candidata tomou conhecimento dessas medidas e qual foi o conteúdo das comunicações relacionadas à Resolução CEN nº 003/2026.
Mensagens, documentos, vídeos, gravações, publicações em redes sociais e outros arquivos poderão ser utilizados para reconstruir os acontecimentos e identificar possíveis participantes ou testemunhas.
Investigação busca identificar possíveis constrangimentos
Outro eixo da apuração envolve a eventual ocorrência de situações que tenham sido percebidas pela candidata como constrangimento, perseguição, ameaça, humilhação, discriminação ou menosprezo relacionados à condição de mulher ou ao pertencimento indígena.
O MP Eleitoral também deverá analisar se alguma eventual conduta teve o objetivo de dificultar ou impedir a candidatura ou a campanha eleitoral de Neidinha.
Para isso, deverão ser apresentados, sempre que possível, dados sobre datas, locais, autores, meios utilizados e testemunhas dos episódios relatados.
Procedimento ainda está em fase inicial
A notificação encaminhada à candidata deixa registrado que a investigação não representa antecipação de julgamento sobre a existência de crime ou ilícito eleitoral.
A advogada Aline Coutinho Albuquerque Gomes Leon, que representa Neidinha, também poderá fornecer esclarecimentos sobre fatos que tenha presenciado diretamente e sobre documentos apresentados ao Ministério Público.
A oitiva ocorreu na sede do 20º Ofício Eleitoral de Porto Velho, com orientação para que sejam preservados dados pessoais, comunicações privadas e informações que não tenham relação com o objeto da investigação.
O procedimento deverá avançar a partir da análise dos documentos e demais elementos apresentados ao Ministério Público Eleitoral. Ao final da apuração preliminar, o órgão poderá adotar as medidas que considerar cabíveis conforme os elementos reunidos.
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