Resumo: A concessionária Nova 364, responsável pela BR-364 entre Porto Velho e Vilhena, cobra em Cujubim a segunda tarifa de pedágio mais cara do país, atrás apenas do sistema Anchieta/Imigrantes, em São Paulo. No mesmo trecho, a rodovia registrou 895 acidentes e 53 mortes nos primeiros sete meses de 2026 — média de uma morte a cada quatro dias — enquanto usuários já pagam pedágio em sete praças desde janeiro. A concessionária também foi condenada pela Justiça a indenizar um motorista após um objeto metálico abandonado na pista danificar seu veículo.
EUIDEAL – A concessionária Nova 364, que administra 686,7 km da BR-364 entre Porto Velho e Vilhena, cobra em Cujubim a segunda tarifa de pedágio mais cara do Brasil. O valor de R$ 37 fica atrás apenas do sistema Anchieta/Imigrantes, em São Paulo (R$ 40,60), segundo levantamento nacional de praças de pedágio. A praça de Pimenta Bueno, também na BR-364, aparece na terceira posição do mesmo ranking, com tarifa de R$ 35,40.
Pontos principais
- Pedágio de Cujubim (R$ 37) é o 2º mais caro do Brasil; o de Pimenta Bueno (R$ 35,40) é o 3º
- BR-364 registrou 895 acidentes e 53 mortes nos primeiros sete meses de 2026
- Cobrança de pedágio nas sete praças da concessão começou em 12 de janeiro de 2026
- Justiça condenou a Nova 364 a indenizar motorista por objeto deixado na pista
- Concessão prevê R$ 10 bilhões em investimentos ao longo de 30 anos, incluindo duplicações ainda não concluídas
O pedágio mais caro fora de São Paulo
A concessão da BR-364 é administrada pela Nova 364 desde o início da cobrança de pedágio, em 12 de janeiro de 2026, distribuída em sete praças ao longo dos 686,7 km entre Porto Velho e Vilhena. O contrato tem duração de 30 anos e prevê mais de R$ 10 bilhões em investimentos, incluindo 107,5 km de duplicação e 190,5 km de faixas adicionais.
Apesar do valor cobrado, parte das obras prometidas ainda não foi entregue. Levantamento anterior deste veículo apontou que usuários já pagam pedágio integralmente enquanto aguardam as melhorias de infraestrutura previstas no contrato de concessão.
Uma morte a cada quatro dias, em média, nos primeiros sete meses de 2026 na BR-364Com base em dados de acidentes levantados pela reportagem
Acidentes e mortes na rodovia
Segundo dados apurados por este veículo junto à Polícia Rodoviária Federal, à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a depoimentos em audiência pública, a BR-364 registrou 895 acidentes e 53 mortes nos primeiros sete meses de 2026, além de mais de mil feridos. Somente em agosto, entre os dias 1º e 27, foram 19 mortes registradas no trecho.
Os números foram apresentados publicamente com o questionamento sobre quantas vidas ainda serão perdidas enquanto o usuário já paga pelo pedágio e aguarda as obras de segurança prometidas na concessão.
Condenação por objeto abandonado na pista
Em maio deste ano, o motorista Luiz Carlos Alfama de Oliveira teve sua caminhonete danificada ao atingir uma peça metálica — uma campana de freio — abandonada na BR-364, nas proximidades do pedágio de Presidente Médici. O caso foi levado ao 2º Juizado Especial Cível de Ji-Paraná, que condenou a Nova 364 a indenizar o motorista em R$ 4.893 por danos materiais.
Segundo a decisão do juiz Adriano Lima Toldo, a concessionária não comprovou realizar inspeções regulares no trecho, o que caracterizou falha no dever de fiscalizar e manter a segurança da via. O pedido de indenização por danos morais foi negado, por não haver lesão física registrada. A concessionária tem prazo de 15 dias após o trânsito em julgado para efetuar o pagamento, sob risco de multa de 10% e penhora de bens. A decisão ainda está sujeita a recurso.
Acidente grave com candidato a deputado
A gravidade dos acidentes no trecho também atingiu nomes públicos. Em 12 de setembro, o candidato a deputado estadual e ex-secretário municipal de Obras de Vilhena, Laércio Torres, precisou desviar de uma carreta que fazia manobra de ultrapassagem na BR-364, entre Cacoal e Pimenta Bueno, e saiu da pista. Ele sofreu uma lesão na coluna que exige cirurgia urgente para evitar paralisia. Segundo informações divulgadas à época, o candidato permanecia lúcido e sem risco de vida, mas dependia de intervenção para preservar funções neurológicas.
Diferentemente do caso julgado em Ji-Paraná, não há, até o momento, indicação de falha da concessionária relacionada a esse acidente específico — as informações disponíveis apontam a manobra do condutor da carreta como causa. O episódio é citado nesta matéria como retrato da gravidade dos acidentes registrados no trecho administrado pela Nova 364.
Obras de manutenção em andamento
A concessionária informou, em nota anterior, a realização de obras de manutenção entre 26 de julho e 1º de agosto deste ano, abrangendo os 12 municípios do trecho concedido, incluindo Ariquemes, Cacoal e Ji-Paraná. Os serviços anunciados incluem pavimentação, drenagem, sinalização, conservação e tecnologia — como tapa-buracos, fresagem, recomposição de pavimento e microrrevestimento —, além de ampliação de cobertura de internet móvel e manutenção de radares em nove municípios. A concessionária não divulgou o valor investido nessas obras específicas.
Ficha da concessão
- Concessionária: Nova 364 S.A.
- Trecho: BR-364, Porto Velho a Vilhena (686,7 km)
- Início da cobrança de pedágio: 12 de janeiro de 2026
- Praças de pedágio: 7, incluindo Cujubim (R$ 37) e Pimenta Bueno (R$ 35,40)
- Prazo da concessão: 30 anos
- Investimento previsto: mais de R$ 10 bilhões
- Acidentes e mortes (jan.–jul. 2026): 895 acidentes e 53 mortes
Nota do Eu Ideal: esta matéria reúne informações já publicadas por este veículo. Até o momento, este veículo confirmou uma condenação judicial contra a Nova 364 relacionada à manutenção da via, no processo julgado pelo 2º Juizado Especial Cível de Ji-Paraná, ainda sujeita a recurso; eventuais outras ações judiciais envolvendo a concessionária não foram independentemente apuradas nesta reportagem. O acidente envolvendo o candidato Laércio Torres é citado como ilustração da gravidade dos acidentes no trecho, sem atribuição de responsabilidade à concessionária nesse caso específico. A Nova 364 não foi procurada por este veículo para comentar os pontos levantados nesta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação da concessionária.
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