Por Juan Pantoja/EU IDEAL – A nova pesquisa Quaest, encomendada pela Rede Amazônica, traz números importantes sobre a corrida pelo Governo de Rondônia. Mas, para mim, o principal recado do levantamento não está apenas em quem aparece na primeira ou na segunda colocação. A grande conclusão é que a esquerda está mais viva do que nunca em Rondônia e pode ter papel decisivo nesta eleição.
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No cenário apresentado, Marcos Rogério (PL) aparece com 24%, seguido por Adailton Fúria (PSD), com 21%. Depois aparecem Expedito Netto (PT) e Hildon Chaves (União Brasil), ambos com 10%. Samuel Costa e Pedro Adib aparecem com 2% cada. Além disso, 22% estão indecisos.
E um número me chamou especialmente a atenção: Expedito Netto, candidato do PT, aparece empatado com Hildon Chaves.
Não se trata de diminuir a trajetória de Expedito, que já exerceu mandato de deputado federal. O ponto é o peso que o PT ainda demonstra ter no estado. Hildon, por outro lado, governou Porto Velho por dois mandatos e deixou a Prefeitura com forte capital político. Ver os dois no mesmo patamar é um dado que merece atenção.
Rondônia ficou nacionalmente conhecida nos últimos anos pela força eleitoral da direita e, especialmente, do bolsonarismo. Em 2022, tivemos uma eleição estadual extremamente ideológica, protagonizada por Marcos Rocha e Marcos Rogério, enquanto nacionalmente o país estava dividido entre Lula e Jair Bolsonaro.
Em 2026, o cenário parece diferente.
Marcos Rogério continua representando de maneira muito clara o eleitorado bolsonarista. Adailton Fúria, entretanto, está no PSD, partido de Gilberto Kassab nacionalmente e de Marcos Rocha em Rondônia, e possui um eleitorado mais heterogêneo.
É justamente aí que considero que a esquerda pode exercer um papel decisivo.
Se o segundo turno colocar frente a frente Marcos Rogério e Adailton Fúria, por exemplo, para onde irão os votos que no primeiro turno estiverem com Expedito Netto e outros segmentos de centro-esquerda e esquerda? Essa transferência poderá ter peso significativo na definição do próximo governador.
Os próprios cenários de segundo turno apresentados pela pesquisa ajudam a mostrar como o comportamento do eleitor muda dependendo dos adversários.
Marcos Rogério aparece com 40% contra 29% de Fúria. Contra Expedito Netto, Rogério chega a 49% contra 23%. Diante de Hildon Chaves, aparece com 47% contra 20%.
Sem Marcos Rogério, Fúria aparece com 37% contra 23% de Hildon e com 48% contra 18% de Expedito Netto. Já numa disputa entre Hildon e Expedito, a diferença diminui: 33% a 27% para Hildon.
Esses números também deixam evidente que a direita continua muito forte em Rondônia. Portanto, não considero correto dizer que ela desapareceu ou perdeu o protagonismo. Marcos Rogério liderar o primeiro turno e apresentar vantagem expressiva nos cenários de segundo turno demonstra justamente o contrário.
O que mudou, na minha avaliação, é que a esquerda voltou a demonstrar força suficiente para participar diretamente da construção do resultado eleitoral.
Em um estado considerado durante anos um dos mais bolsonaristas do Brasil, ver um candidato do PT alcançar 10% e empatar com um ex-prefeito de dois mandatos da capital é politicamente relevante.
Por isso, talvez a pergunta mais importante desta pesquisa não seja apenas quem está na frente.
A pergunta é: para onde irão os votos da esquerda se Expedito Netto não estiver no segundo turno?
Dependendo da resposta, esse eleitorado poderá ser justamente aquele que vai ajudar a decidir quem governará Rondônia pelos próximos quatro anos.
A direita continua forte. Mas a esquerda de Rondônia está mais viva do que muita gente imaginava — e ignorá-la nesta eleição pode ser um grande erro de cálculo político.
Juan Pantoja é jornalista.
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Conteúdo publicado automaticamente pelo Portal Nortão News.