ALMT aprova convocação de secretário da Sinfra-MT após atrasos e estouro no orçamento das obras do BRT


O arrastado cronograma e a escalada nos custos das obras do BRT (Bus Rapid Transit) na Região Metropolitana de Cuiabá abriram uma crise institucional no Parlamento estadual. Em sessão plenária realizada nesta quarta-feira (27), a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aprovou, por unanimidade, a convocação oficial do secretário de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT). O gestor público terá que prestar esclarecimentos detalhados sobre as constantes prorrogações de prazos e o expressivo reajuste financeiro nos contratos do novo modal de transporte.

A oitiva obrigatória ficou agendada para o dia 11 de junho de 2026. A mudança de postura dos deputados, que converteram um convite informal em uma convocação impositiva, ocorreu após o não comparecimento do secretário a uma reunião técnica previamente agendada. A ausência gerou forte desconforto na Casa de Leis, que agora exige respostas formais sobre a execução do projeto que interliga a capital a Várzea Grande.

Trecho 1 alcançou apenas 44% de execução física e acumula rombo contratual milionário

Os dados apresentados no plenário da ALMT acenderam o sinal de alerta sobre a eficiência da engenharia financeira do projeto. O plano inicial do Governo do Estado previa que todo o complexo de mobilidade do BRT estivesse operando plenamente em dezembro de 2022. No entanto, em maio de 2026, os relatórios técnicos apontam que apenas 44% do chamado “Trecho 1” foi concluído. Este lote específico compreende o corredor que sai do Aeroporto Marechal Rondon, corta a Avenida FEB e segue até o final da Avenida do CPA.

Além da lentidão nos canteiros, o impacto financeiro nas contas públicas tornou-se o principal alvo de contestação dos parlamentares. O orçamento global anunciado no ano de 2020 para a execução completa do sistema era de R$ 430 milhões. Atualmente, os aditivos e contratos vigentes vinculados exclusivamente ao Trecho 1 já ultrapassam a marca dos R$ 550 milhões, superando o teto previsto para toda a obra sem que a metade do trajeto esteja finalizada.

O balanço comparativo da evolução física e financeira do BRT aponta:

  • Meta Original de Entrega: Dezembro de 2022 (Atraso acumulado superior a três anos);
  • Orçamento Global Inicial (2020): Previsão de investimento de R$ 430 milhões;
  • Gasto Atualizado (Apenas Trecho 1): Contratos já somam mais de R$ 550 milhões;
  • Status de Execução Industrial: Apenas 44% das intervenções estruturais concluídas na pista padrão.

Estações de passageiros sofreram reajuste e valor saltou de R$ 68,8 milhões para R$ 120 milhões

A disparada nos preços também atingiu as estruturas de embarque e desembarque do sistema. Os deputados apontaram distorções em editais sucessivos. Um processo licitatório publicado em 2025 estimava o investimento de R$ 68,8 milhões para a instalação de 77 estações climatizadas. Posteriormente, um novo instrumento convocatório elevou a projeção de custo para as mesmas estruturas para a casa dos R$ 120 milhões, exigindo uma auditoria rigorosa sobre as composições de preços unitários.

Enquanto os contratos passam por revisões, a população de Cuiabá e Várzea Grande convive diariamente com os transtornos gerados pelas frentes de trabalho. Motoristas enfrentam extensos congestionamentos diários, o comércio local sofre com o isolamento de calçadas e os usuários do transporte coletivo e ciclistas lidam com rotas improvisadas. A sabatina na ALMT buscará arrancar da Sinfra-MT uma data definitiva e realista para o término dos trabalhos.

Raio-X das Contas e Cronograma do BRT Indicadores e Evolução Contratual (Mato Grosso – 2026)
Data da Convocação na ALMT 11 de Junho de 2026
Evolução Física do Trecho 1 44% concluído (Aeroporto ao fim da Av. do CPA)
Aumento de Custo (Trecho 1) De R$ 430 milhões (total previsto) para + R$ 550 milhões
Reajuste no Edital das Estações Saltou de R$ 68,8 milhões para R$ 120 milhões (77 estruturas)
Prazo Inicial Descumprido Dezembro de 2022

A rigorosa convocação do secretário da Sinfra pela Assembleia Legislativa reflete a legítima indignação da sociedade diante de obras públicas que estouram orçamentos e não cumprem prazos básicos, evidenciando que a falta de planejamento e a fiscalização frouxa transformam grandes projetos de mobilidade em verdadeiros gargalos econômicos e sociais para Cuiabá e Várzea Grande, embora defensores da gestão estadual argumentem que os atrasos decorrem de imprevistos técnicos no subsolo urbano e de readequações necessárias para entregar um sistema moderno, justificando os aditivos financeiros face à inflação dos insumos de construção civil no Centro-Oeste. Você considera que a ALMT deve paralisar temporariamente os repasses financeiros para o BRT até que uma auditoria completa explique o aumento de custos, ou acredita que suspender as obras traria ainda mais prejuízos e congestionamentos para a população, sendo melhor focar na cobrança por rapidez na conclusão? Participe do debate e deixe seu comentário abaixo.

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