A Copa do Mundo de 2026 ainda está distante do apito inicial, mas o comércio brasileiro já começa a sentir os primeiros sinais de aquecimento provocados pela Seleção Brasileira. Os amistosos contra Panamá, no próximo dia 31 de maio, no Maracanã, e Egito, em 6 de junho, nos Estados Unidos, devem funcionar como um termômetro antecipado para o varejo, especialmente para supermercados e lojas de conveniência.
Embora o clima decisivo do torneio ainda não tenha tomado conta do país, a preparação da equipe brasileira começa a despertar um comportamento típico entre os consumidores: o planejamento para assistir aos jogos reunindo amigos e familiares dentro de casa. E, junto com isso, cresce a procura por produtos ligados a esse tipo de encontro.
Bebidas, carnes para churrasco, carvão, petiscos, gelo, descartáveis e itens de conveniência aparecem entre as categorias que podem começar a ganhar força já durante os amistosos. Para o varejo alimentar, o período serve não apenas para ampliar vendas, mas também para entender como o consumidor deve se comportar ao longo da Copa.
Supermercados devem concentrar boa parte das compras
Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, realizada em parceria com a Offerwise Pesquisas, mostra que 60% dos brasileiros pretendem comprar produtos ou contratar serviços durante a Copa do Mundo de 2026. A estimativa é de que aproximadamente 99,2 milhões de pessoas movimentem o comércio no período.
Os supermercados aparecem entre os principais beneficiados desse consumo. Segundo o levantamento, 70% dos entrevistados afirmam que pretendem fazer compras nesses estabelecimentos para acompanhar os jogos.
O dado reforça uma característica que costuma marcar os grandes eventos esportivos: o fortalecimento do consumo doméstico. Em vez de bares e restaurantes, a maioria dos torcedores ainda prefere transformar a própria casa em ponto de encontro durante as partidas da Seleção.
Bebidas e churrasco lideram intenção de compra
Entre os produtos mais procurados pelos consumidores estão bebidas não alcoólicas, citadas por 68% dos entrevistados. Refrigerantes, água, sucos, energéticos e chás lideram a lista de intenção de compra.
Logo atrás aparecem petiscos, mencionados por 62%, itens para churrasco, com 60%, e cervejas, lembradas por 59% dos consumidores.
Os números ajudam a explicar por que o varejo já começa a observar os amistosos com atenção. Mesmo sem valer classificação ou título, as partidas ajudam a criar o ambiente emocional que antecede a Copa e podem antecipar movimentos de compra.
Além disso, a pesquisa aponta que 44% dos consumidores costumam antecipar as compras relacionadas aos jogos em até uma semana. O objetivo varia entre aproveitar promoções, evitar filas ou garantir disponibilidade dos produtos mais procurados.
Copa em casa deve impulsionar consumo coletivo
O levantamento mostra ainda que a Copa do Mundo de 2026 deve continuar sendo, principalmente, uma experiência coletiva vivida dentro de casa. Cerca de 86% dos consumidores afirmam que pretendem assistir aos jogos em suas residências, enquanto 40% citam a casa de amigos ou familiares.
Apenas 3% disseram que devem acompanhar as partidas sozinhos. Entre os entrevistados, 77% pretendem assistir aos jogos com familiares, 60% com amigos e 15% com colegas de trabalho.
Esse comportamento tende a ampliar o consumo de produtos compartilháveis e compras de reposição feitas próximas ao horário das partidas. Carnes, bebidas, sobremesas, gelo, carvão e descartáveis costumam registrar aumento de saída conforme os jogos se aproximam.
O estudo estima que os brasileiros pretendem gastar, em média, R$ 619 durante a Copa do Mundo. Entre consumidores das classes A e B, o valor sobe para R$ 784. Parte desse orçamento deve ser disputada entre supermercados, bares, restaurantes, delivery e serviços relacionados ao torneio.
Amistosos servem como “ensaio” para o varejo
No setor supermercadista, os amistosos são vistos como uma oportunidade para ajustar estratégias antes do início oficial da competição. O período ajuda a identificar produtos com maior saída, testar promoções e evitar problemas de abastecimento durante os jogos mais aguardados.
A tendência é que redes varejistas reforcem ações promocionais ligadas à Copa, apostando em ilhas temáticas, combos para churrasco, ofertas de bebidas e comunicação visual voltada ao clima de torcida.
Para o comércio, a movimentação causada pela Copa começa muito antes da estreia da Seleção em campo. Ela se inicia quando o consumidor passa a organizar a rotina para assistir aos jogos — e isso já começa a aparecer nos corredores dos supermercados.
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