Encontrar um casal de ariranhas acasalando na natureza é um privilégio para poucos. A fotógrafa de vida selvagem Giovanna Leite viveu esse momento no Pantanal de Mato Grosso do Sul e conseguiu registrar, em imagens, uma das cenas mais raras do comportamento da espécie.
“Ver ariranhas copulando foi, de fato, uma das coisas mais incríveis que já presenciei”, escreveu a fotógrafa nas redes sociais ao compartilhar o registro.
Segundo Giovanna, ela acompanhou o grupo de ariranhas durante uma semana, observando diferentes momentos da rotina dos animais, como caçadas, deslocamentos, entrada nas tocas e, por fim, o acasalamento do casal dominante.
“O macho e a fêmea dominante são os únicos que se reproduzem no grupo. Durante vários dias vimos o macho tentar diversas vezes, até que a fêmea finalmente aceitou o acasalamento”, relatou.
O acasalamento das ariranhas é feito inteiramente na água. Agora, a expectativa é pela chegada de novos filhotes, que enfrentarão os desafios naturais do Pantanal, onde convivem com predadores como as onças-pintadas.
Gigante dos rios brasileiros
A ariranha (Pteronura brasiliensis) é a maior espécie de lontra do mundo e tem no Pantanal um de seus principais refúgios no Brasil.
O animal pode atingir até dois metros de comprimento e pesar entre 22 e 35 quilos. Também é conhecida como “lobo-do-rio”, apelido que faz referência ao comportamento altamente cooperativo durante a caça, a proteção dos filhotes e a defesa do território.
Segundo o Projeto Ariranha, o nome científico da espécie homenageia o Brasil, onde ela foi descrita pela primeira vez. O termo Pteronura vem do grego e significa “cauda em forma de asa”, uma referência ao formato achatado da cauda, que funciona como um leme e permite que o animal nade com grande agilidade.
Apenas o casal dominante tem filhotes
As ariranhas vivem em grupos familiares que podem reunir até 20 indivíduos. Elas constroem tocas, chamadas de “locas”, nas margens de rios e lagoas e mantêm um comportamento extremamente territorial.
Dentro do grupo, apenas o casal dominante se reproduz. No entanto, todos os integrantes participam dos cuidados com os filhotes, ajudando na proteção, alimentação e aprendizado dos mais jovens.
Durante o período de seca, quando os rios ficam mais estreitos e os grupos passam a conviver mais próximos, a comunicação entre as ariranhas se torna ainda mais intensa, por meio de vocalizações e comportamentos coordenados.