Carbono azul ganha destaque na agenda climática dos oceanos


No esforço global para reduzir as emissões responsáveis pelo aquecimento do planeta, o chamado carbono azul tem ganhado relevância nas discussões ambientais. A pauta foi reforçada no Dia Mundial dos Oceanos, quando especialistas destacaram a importância dos ecossistemas costeiros no combate às mudanças climáticas.

O conceito de carbono azul está relacionado ao dióxido de carbono (CO₂) capturado e armazenado por ambientes marinhos, como manguezais, marismas e pradarias marinhas. Esses ecossistemas atuam como importantes sumidouros naturais de carbono, retirando o gás da atmosfera e ajudando a reduzir o aquecimento global.

Segundo especialistas, o oceano tem papel essencial no equilíbrio climático do planeta. Ele absorve cerca de 30% das emissões globais de CO₂ e é responsável por mais da metade do oxigênio produzido na Terra.

Uma das especialistas ouvidas destaca que, embora a Amazônia seja frequentemente chamada de pulmão do mundo, o oceano desempenha função equivalente no sistema climático global, sem diminuir a relevância das florestas tropicais nesse processo.

Além da função climática, os ecossistemas costeiros também têm impacto direto na vida das comunidades. Eles servem de abrigo para a biodiversidade, sustentam a pesca artesanal e ajudam a proteger áreas costeiras contra erosão, ressacas e eventos climáticos extremos.

Costa brasileira

O Brasil abriga o maior sistema contínuo de manguezais do mundo, localizado na faixa costeira da Amazônia, o que coloca o país em posição estratégica para desenvolver soluções baseadas na natureza.

Apesar disso, especialistas apontam que o oceano ainda recebe menos atenção do que outros biomas nacionais. A área marinha brasileira ocupa cerca de 5,7 milhões de quilômetros quadrados, equivalente a aproximadamente 40% do território nacional, e mais da metade da população vive em regiões influenciadas por esse ecossistema.

Representantes de organizações ambientais destacam que o mar ainda é tratado, em muitos casos, como um espaço invisível na agenda de conservação, embora seja um ambiente rico em biodiversidade, cultura e atividades econômicas.

Povos tradicionais

O avanço de projetos ligados ao carbono azul também levanta discussões sobre direitos territoriais e a participação de comunidades tradicionais. Especialistas defendem que os resultados dessas iniciativas devem ser avaliados não apenas pela captura de carbono, mas também pelos impactos sociais e ambientais positivos.

Quando degradados, ecossistemas como manguezais deixam de oferecer serviços essenciais, como proteção costeira e manutenção da pesca. Além disso, a destruição dessas áreas pode liberar carbono acumulado por décadas ou séculos, intensificando os efeitos do aquecimento global.

Além do carbono

A proteção dos oceanos também está diretamente ligada à economia e à segurança alimentar. A pesca é uma das principais atividades econômicas do setor marítimo e sustenta milhões de empregos em todo o mundo.

No Brasil, cerca de 1,7 milhão de pescadores artesanais dependem diretamente da saúde dos ecossistemas marinhos para garantir sua subsistência.

Organizações ambientais afirmam que a atuação integrada entre instituições públicas e sociedade civil é fundamental para ampliar a proteção e a restauração dos ambientes marinhos, incluindo manguezais, recifes de corais e restingas.

Entre as estratégias futuras estão o fortalecimento das áreas marinhas protegidas, a restauração de recifes de coral, a promoção de uma transição energética justa e o avanço de políticas voltadas à governança dos oceanos em níveis nacional e internacional.

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