A três dias do fim do prazo, cerca de 76% dos contribuintes mato-grossenses já acertaram as contas com o Leão. Até o final da tarde de ontem (26), a Receita Federal havia recebido pouco mais de 697 mil documentos. Para este ano são esperadas 859.868 declarações.
Ainda conforme as estatísticas da Receita Federal, o total de documentos entregues até o momento representa 81% do total enviado no ano passado.
O prazo para entregar a declaração começou em 23 de março e termina às 23h59min59s de 29 de maio. O programa gerador da declaração está disponível desde 19 de março.
Quem não enviar a declaração no prazo pagará multa de R$ 165,74 ou 1% do imposto devido, prevalecendo o maior valor.
Dos mato-grossenses que quitaram a situação fiscal com a Receita Federal em 2026, 67,3% têm valores a restituir, 15,3% a pagar e 17,4% sem imposto. Cerca de 67% optaram por modelo pré-preenchido, 40,3% das declarações pertencem às mulheres e a idade média dos contribuintes é de 47 anos.
No Brasil, segundo a Receita Federal, mais de 34 milhões fizeram a declaração, 60,6% das declarações entregues até agora terão direito a receber restituição, 21,6% terão que pagar Imposto de Renda e 17,7% não têm imposto a pagar nem a receber.
As pessoas físicas que receberam rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584, assim como aquelas que obtiveram receita bruta da atividade rural acima de R$ 177.920, são obrigadas a declarar. As pessoas que receberam até dois salários mínimos mensais em 2025 estão dispensadas de fazer a declaração, salvo se enquadrarem em outro critério de obrigatoriedade.
RECEITA SABE MAIS DO QUE VOCÊ IMAGINA – O prazo do Imposto de Renda entra na reta final, mas a principal mudança dos últimos anos não está no calendário. Está na forma como a Receita Federal analisa as declarações.
Se antes o maior risco era esquecer algum rendimento ou deixar de informar um dado, hoje o cenário é outro. O contribuinte não está mais sozinho no preenchimento. Ele está confrontando informações que já foram enviadas por diferentes fontes ao Fisco.
Nos últimos exercícios, mais de 1 milhão de declarações ficaram retidas na malha fina. Em alguns anos, esse número ultrapassou 1,3 milhão. Mesmo com o avanço da declaração pré-preenchida, o padrão se mantém.
Segundo Patrícia Bastazini, a principal causa de retenção hoje não está na omissão, mas na inconsistência. “O contribuinte ainda acredita que o problema é esquecer alguma informação. Na prática, o que mais leva à malha fina é declarar valores que não batem com o que já foi informado por bancos, empresas e operadoras.”
CRUZAMENTO DE DADOS MUDOU O JOGO – A Receita Federal passou a operar com um nível de integração de informações que reduz drasticamente a margem para erro informal.
Bancos informam rendimentos financeiros. Empresas comunicam salários e pró-labore. Operadoras de saúde detalham despesas médicas. Corretoras reportam aplicações. Plataformas digitais ampliam ainda mais esse volume de dados.
Na prática, a declaração deixou de ser um preenchimento isolado e passou a funcionar como uma validação. Se houver divergência, o sistema identifica. “Não é mais uma questão de interpretação. É uma questão de coerência entre os dados”, afirma Patrícia.
DECLARAÇÃO PRÉ-PREENCHIDA – Nesse novo cenário, a declaração pré-preenchida ganhou protagonismo. Ela passou a ser uma ferramenta importante para o contribuinte entender quais informações já estão na base da Receita.
Mas confiar integralmente nela pode ser um erro. Apesar de avançar a cada ano, a pré-preenchida ainda apresenta falhas. Informações podem não aparecer, chegar incompletas ou não refletir toda a movimentação do contribuinte. Na prática, ela funciona como um ponto de partida, não como uma validação final.
Há casos em que parte dos rendimentos aparece corretamente, enquanto outra parte, que também foi informada por fonte pagadora, não está refletida na pré-preenchida. Isso não significa ausência de informação no sistema da Receita, mas uma limitação da ferramenta naquele momento.
“A pré-preenchida ajuda a entender o que já foi informado, mas não substitui a conferência. O contribuinte precisa comparar com os próprios documentos e garantir que tudo esteja consistente”, diz Patrícia.
COERÊNCIA – Outro ponto que ganhou peso nos últimos anos é a análise da coerência patrimonial.
O Imposto de Renda deixou de olhar apenas para renda isolada e passou a considerar o conjunto da vida financeira do contribuinte. Evolução de patrimônio, aquisição de bens e movimentações relevantes precisam fazer sentido dentro da renda declarada. Quando essa coerência não existe, o sistema sinaliza. Na prática, a declaração precisa contar uma história consistente. O impacto direto para quem erra
Quando há inconsistência, a declaração pode ser retida para análise. Isso pode levar à exigência de documentos e atraso na restituição.
Em muitos casos, o contribuinte só descobre o problema semanas após o envio, quando já não tem o mesmo controle sobre o processo. “A diferença entre revisar antes e corrigir depois é grande. Antes do envio, é possível ajustar. Depois, o contribuinte passa a responder ao que foi identificado”, afirma Patrícia.
O QUE MUDA NA PRÁTICA? – Diante desse cenário, a forma de declarar precisa mudar. Mais do que reunir documentos, o contribuinte precisa garantir que todas as informações estejam alinhadas com o que já foi informado ao Fisco.
Isso exige:
– Conferência detalhada dos informes
– Atenção a pequenas diferenças de valores
– Revisão criteriosa de despesas médicas
– Análise da coerência entre renda e patrimônio
– O foco deixa de ser apenas preencher corretamente. Passa a ser garantir consistência.
– Um novo padrão de atenção
O avanço tecnológico da Receita Federal elevou o nível de exigência do Imposto de Renda. O contribuinte deixou de ser apenas responsável por informar. Ele passou a ser responsável por validar. E, nesse novo cenário, o maior risco não está em esquecer um dado. Está em declarar algo que não bate com aquilo que a Receita já sabe.
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