Eficiência impulsiona pecuária de Mato Grosso e amplia presença no mercado global, relata Daniel Latorraca


A pecuária de Mato Grosso aumentou a produção de carne bovina e ampliou sua participação no mercado internacional mesmo com a redução da área de pastagens. A avaliação foi apresentada pelo diretor executivo da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Daniel Latorraca, durante o evento Pecuária em Pauta, realizado neste sábado (18). Com base em dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o economista destacou os ganhos de produtividade, manejo, genética, nutrição e adoção de sistemas intensivos no Estado.

O MT Econômico traz aos leitores do portal, um resumo da palestra de Daniel Latorraca, diretor da Acrimat. Acompanhe a seguir.

Nando Conte, presidente da Acrimat – Foto: MT Econômico

Na abertura do encontro, o presidente da Acrimat, Nando Conte, ressaltou que a entidade pretende fortalecer a defesa do setor, ampliar a presença no interior e melhorar a comunicação com os produtores e com a sociedade. Como organizador do evento, Conte também destacou a importância de aproximar a associação dos pequenos pecuaristas. Segundo dados apresentados por ele, cerca de 79% das propriedades rurais de Mato Grosso possuem até 250 cabeças. A entidade planeja percorrer seis distritos do Estado com o projeto Sem Fronteiras, voltado à escuta das demandas dos produtores.

Mais carne com rebanho estável

Na comparação apresentada por Latorraca, o rebanho bovino mato-grossense passou de aproximadamente 27 milhões de cabeças, em 2005, para cerca de 31 milhões em 2026. No mesmo intervalo, a produção de carne bovina aumentou de 930 mil toneladas para mais de 2 milhões de toneladas em 2025.

A destinação dessa produção também mudou. Em 2005, 79% da carne produzida no Estado era enviada para outras unidades da Federação, enquanto 13% seguia para o exterior e 8% permanecia em Mato Grosso. Em 2025, a participação do mercado interestadual caiu para 45%, e as exportações passaram a representar 49% da produção. O consumo interno respondeu por aproximadamente 6%.

Daniel Latorraca, diretor da Acrimat – Foto: MT Econômico

Latorraca informou ainda que Mato Grosso exportou carne bovina para 92 países em 2025. China e Estados Unidos aparecem entre os principais compradores, ao lado de mercados da Ásia, do Oriente Médio e da Europa. Para o diretor, a diversificação dos destinos reduz a dependência de um único mercado, mas também exige que o produtor e a indústria atendam protocolos sanitários e comerciais distintos.

Outro indicador destacado foi a idade dos animais abatidos. Em 2005, apenas 2% dos bovinos abatidos tinham até 24 meses. Em 2025, essa participação chegou a 43%, em um total aproximado de 7,5 milhões de animais abatidos. A mudança, segundo Latorraca, mostra o avanço da terminação precoce e da eficiência dos sistemas produtivos.

Menos pastagem, maior produtividade

A apresentação também apontou que a área de pastagens em Mato Grosso caiu de aproximadamente 26 milhões para 17 milhões de hectares nas últimas duas décadas. No mesmo período, a produção de carne por hectare teria avançado de 36 para 119 quilos por ano, conforme a série exibida no evento.

Daniel Latorraca, diretor da Acrimat – Foto: MT Econômico

Na avaliação do diretor da Acrimat, parte das áreas foi convertida para agricultura, enquanto outra parcela passou a integrar sistemas de produção como lavoura-pecuária e pecuária-floresta. A tendência, afirmou, é de continuidade da redução da área ocupada exclusivamente por pastagens, acompanhada de ganhos de produtividade e maior intensificação da pecuária.

Para os próximos 20 anos, Latorraca projeta avanços em genética, nutrição, manejo, integração de atividades, rastreabilidade e diversificação de mercados. Ele também apontou a disponibilidade de mão de obra como um desafio crescente, diante das projeções de estabilização e posterior redução da população brasileira a partir de 2042.

Daniel Latorraca, diretor da Acrimat – Foto: MT Econômico

No ambiente internacional, o diretor prevê a continuidade de medidas protecionistas, cotas e exigências específicas por país. Nesse cenário, defendeu que protocolos destinados a determinados mercados não sejam automaticamente transformados em obrigações para todos os produtores brasileiros. A estratégia, segundo ele, deve combinar eficiência, sustentabilidade e capacidade de atender diferentes compradores, especialmente na Ásia, onde ainda há espaço para o crescimento do consumo de carne bovina.

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