esquema milionário desmascara venda de gado inexistente que movimentou R$ 100 milhões com uso de documentos falsos e lavagem de dinheiro


Uma investigação minuciosa revelou como uma organização criminosa utilizou propriedades arrendadas e documentos adulterados para simular a existência de rebanhos inteiros. O esquema, que operava com notas fiscais falsas, visava mascarar a origem ilícita de recursos financeiros através do setor agropecuário.

A ação, denominada Operação Boi Fantasma, foi deflagrada nesta terça-feira, 9 de junho de 2026, pelo GAECO em Santa Catarina e pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul. O monitoramento das autoridades incluiu o uso de drones que flagraram pastos completamente vazios em locais onde deveriam existir milhares de cabeças de gado.

Como o esquema do ‘gado virtual’ funcionava na prática

O modelo criminoso era estruturado de forma a simular a rotina de produtores rurais. O grupo utilizava testas de ferro para emitir notas fiscais e Guias de Trânsito Animal (GTAs), criando uma fachada de legalidade para movimentar grandes quantias em dinheiro.

A liderança do esquema partia de dentro do sistema prisional, coordenada por um traficante que distribuía tarefas para familiares. O objetivo era ocultar o patrimônio e dar aparência de lucro legítimo a valores provenientes de atividades criminosas.

Apenas cinco integrantes do núcleo principal da organização criminosa foram responsáveis pela movimentação de R$ 24,8 milhões nos últimos dois anos.

Para dar o destino final ao dinheiro, os criminosos utilizavam plataformas de apostas online. Esse método, cada vez mais comum no crime organizado, serve para dissimular a origem dos fundos e dificultar o rastreamento feito pelos órgãos de fiscalização e pela Receita Estadual.

Estratégia de ocultação e impacto no setor

A complexidade da fraude mostra que o agronegócio, quando não fiscalizado com rigor, pode servir de porta de entrada para lavagem de dinheiro. O uso de GTAs falsas, documentos fundamentais para o transporte de animais, foi o ponto que permitiu que o grupo mantivesse a operação por tanto tempo sem levantar suspeitas imediatas.

O grupo criminoso movimentou aproximadamente R$ 100 milhões simulando atividades agropecuárias que nunca existiram de fato.

As autoridades seguem analisando as provas apreendidas em municípios como Palhoça e Joinville. A operação faz parte de uma mobilização nacional robusta para enfraquecer o poder financeiro de facções que tentam se infiltrar em setores estratégicos da economia brasileira.

Impacto para o mercado de Mato Grosso

Para o produtor rural de Mato Grosso, operações como a “Boi Fantasma” são um alerta importante sobre a necessidade de rigor na rastreabilidade do rebanho e na emissão de documentos. A fraude prejudica a reputação do setor e pode encarecer os custos de conformidade para quem produz de forma ética e transparente. O combate a esse tipo de crime protege a competitividade da carne produzida em solo mato-grossense, garantindo que o mercado internacional continue confiando na procedência do nosso gado.

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