A 14ª Vara Criminal de Cuiabá recebeu formalmente a denúncia oferecida pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) contra um homem acusado de feminicídio, ocultação de cadáver e comunicação falsa de crime. A peça acusatória foi apresentada pela 27ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital.
Conforme os autos, o crime ocorreu na manhã do dia 4 de maio de 2026, no interior da residência do casal, localizada no bairro Parque Cuiabá. A vítima, uma mulher de 64 anos, foi morta mediante asfixia mecânica.
Segundo o que foi apurado, ela foi surpreendida enquanto dormia, o que impossibilitou qualquer reação defensiva e caracterizou as circunstâncias qualificadoras do homicídio.
Contexto de violência e interesse patrimonial
As investigações apontam que o delito foi praticado em contexto de violência doméstica e familiar, envolvendo menosprezo e discriminação à condição de mulher, o que configura a qualificadora de feminicídio.
A denúncia descreve ainda que o crime foi motivado por interesses patrimoniais. Antes e após o homicídio, o acusado teria adotado medidas administrativas e financeiras para obter o controle total sobre os bens e valores da esposa, incluindo a realização de movimentações bancárias em benefício próprio.
Ocultação de cadáver e simulação de sequestro
De acordo com o Ministério Público, após cometer o feminicídio, o denunciado transportou o corpo até outro imóvel pertencente à vítima. Com o auxílio de maquinário pesado — contratado previamente sob o pretexto de realizar uma obra de construção civil —, ele enterrou o cadáver no local.
Para dificultar a apuração dos fatos, o homem retirou os equipamentos de armazenamento de imagens (DVR) das câmeras de segurança da residência e passou a simular o desaparecimento da esposa.
A acusação relata que ele utilizou o aparelho celular da própria vítima para enviar mensagens de texto aos familiares dela, simulando um falso sequestro e exigindo o pagamento de resgate. Na tentativa de consolidar o álibi, o acusado chegou a comparecer presencialmente a uma delegacia de polícia para registrar um boletim de ocorrência falso sobre o sumiço.
Contradições e julgamento no Tribunal do Júri
A versão apresentada pelo suspeito foi rapidamente contradita pelos elementos probatórios e indícios técnicos reunidos pela Polícia Civil durante a investigação, o que permitiu desvendar a real dinâmica criminosa e localizar o corpo da idosa.
Na peça acusatória, o Ministério Público requer o prosseguimento regular da ação penal para que o réu seja pronunciado e levado a julgamento popular pelo Tribunal do Júri. O órgão também solicitou que seja fixado um valor financeiro mínimo a título de indenização para a reparação dos danos morais e materiais causados aos familiares da vítima.
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