Uma articulação institucional busca devolver a dignidade e acelerar o processo de reabilitação física e psicológica de centenas de pacientes oncológicas em Mato Grosso. Atualmente, uma fila reprimida de mais de 200 mulheres aguarda pela realização da cirurgia de reconstrução mamária por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado. O panorama técnico e as alternativas orçamentárias para sanar essa demanda foram debatidos durante uma reunião de trabalho realizada no Hospital de Câncer, em Cuiabá, com a participação da diretoria da unidade e do deputado estadual Eduardo Botelho.
O procedimento de reconstrução plástica pós-mastectomia (remoção cirúrgica da mama afetada pelo tumor) é garantido por lei federal, porém o avanço da fila enfrenta gargalos estruturais e financeiros severos na rede pública de saúde mato-grossense.
Déficit na tabela SUS e custo de próteses travam avanço das cirurgias reparadoras
De acordo com os dados apresentados pela administração hospitalar, a fila atual oscila entre 200 e 210 mulheres que já venceram a batalha contra o câncer de mama, mas que ainda convivem com as sequelas da mutilação terapêutica. O hospital informou que já concluiu o estudo de viabilidade técnica e financeira para a implantação de um mutirão contínuo de reconstrução mamária. Contudo, o principal entrave reside no alto custo de mercado das próteses de silicone e no fato de a tabela de repasses do SUS cobrir apenas uma fração do valor real dos insumos e honorários das equipes médicas especializadas.
Para solucionar o problema de forma estrutural, a direção técnica apresentou o projeto de ampliação do bloco cirúrgico. A unidade opera atualmente com seis salas cirúrgicas em capacidade máxima, um volume que se mostra insuficiente para dar vazão à demanda crescente de novos diagnósticos oncológicos e, simultaneamente, acolher os procedimentos plásticos reparadores de pacientes antigas que aguardam há anos pelo fechamento do ciclo de tratamento.
As metas prioritárias traçadas na cooperação para a saúde oncológica englobam:
- Nova Sala Cirúrgica: Expansão da infraestrutura hospitalar de seis para sete salas de alta complexidade;
- Aceleração de Fluxo: Redução drástica do tempo de espera por biópsias e cirurgias de retirada de tumores;
- Aporte para Próteses: Busca de emendas parlamentares e parcerias para subsidiar o custo dos implantes mamários;
- Interiorização do Suporte: Estruturação logística para atender pacientes de todas as regiões de Mato Grosso.
Parceria com a Assembleia Legislativa projeta expansão do atendimento a pacientes do interior
O deputado Eduardo Botelho sinalizou o compromisso de destinar recursos orçamentários por meio de emendas parlamentares e articular junto à bancada estadual e ao Poder Executivo o cofinanciamento do projeto de expansão do Hospital de Câncer. “O Hospital de Câncer desempenha um papel insubstituível em Mato Grosso, acolhendo famílias que vêm do interior em momentos de extrema fragilidade. Nosso objetivo é viabilizar os recursos necessários para que essas mulheres consigam reconstruir suas vidas com dignidade e qualidade”, destacou o parlamentar.
Membros do corpo clínico reforçaram que a cirurgia reparadora não possui finalidade puramente estética, sendo classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um componente vital da saúde mental, atuando diretamente no resgate da autoestima, no tratamento de quadros depressivos secundários e na reinserção social da mulher após o tratamento quimioterápico e radioterápico.
| Raio-X da Demanda Oncológica em MT | Indicadores Hospitalares e Planejamento (2026) |
|---|---|
| Pacientes na Fila de Reconstrução | Entre 200 e 210 mulheres mastectomizadas |
| Capacidade Cirúrgica Atual | 6 salas operacionais em pleno funcionamento |
| Meta de Expansão Física | Construção e equipação de 1 nova sala cirúrgica |
| Principal Gargalo Apontado | Baixa defasagem da tabela SUS para cobertura de próteses |
A constatação de que mais de 200 mulheres recuperadas do câncer de mama ainda aguardam anos na fila por uma reconstrução mamária expõe os graves gargalos financeiros do SUS em Mato Grosso, evidenciando que a expansão de salas cirúrgicas com apoio de emendas parlamentares é urgente para devolver a dignidade a essas pacientes, embora o subfinanciamento crônico da tabela federal de saúde continue limitando o alcance de hospitais filantrópicos. Você considera que o Governo de Mato Grosso deveria criar um fundo estadual permanente para custear 100% das próteses e cirurgias reparadoras das pacientes do SUS, tornando a fila zero uma meta obrigatória de estado, ou acredita que o foco principal dos recursos deve permanecer restrito à compra de mamógrafos e exames de diagnóstico preventivo? Participe do debate e deixe seu comentário abaixo.
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