Moradora de Várzea Grande já passou por 6 países após largar emprego fixo e virar nômade digital


Moradora de Várzea Grande, Fabielle Rodrigues Alves da Guia, de 29 anos, decidiu trocar a estabilidade do emprego fixo por uma rotina de viagens, trabalho remoto e descobertas pelo mundo. Há dez meses ‘mochilando’ sozinha, ela já passou por países da África e da Ásia, enquanto mantém a renda com serviços na área de marketing digital.

Antes de embarcar nessa mudança, Fabielle trabalhava como analista de administração comercial em uma empresa do agronegócio, em Cuiabá. Hoje, a mato-grossense vive da internet e também faz voluntariados em troca de hospedagem e alimentação, uma forma de economizar durante as viagens. A liberdade, porém, veio acompanhada da perda de estabilidade financeira.

Fabielle Guia, de 29 anos, trocou a rotina CLT em Cuiabá por trabalhos remotos,. – Foto: Arquivo Pessoal

“Eu economizo bastante, mas meu principal desafio agora é que, trabalhando para mim mesma, eu não sei quanto será o meu salário no final do mês. Então, eu não tenho uma estabilidade financeira igual eu tinha quando trabalhava CLT, mas, em compensação, eu tenho mais liberdade”, explicou.

Apesar da imagem leve que costuma aparecer nas redes sociais, a rotina de nômade digital também tem um lado cansativo. Para Fabielle, os deslocamentos constantes e a dificuldade de criar vínculos são alguns dos pontos menos mostrados.

Eu economizo bastante, mas meu principal desafio agora é que, trabalhando para mim mesma, eu não sei quanto será o meu salário no final do mês. Então, eu não tenho uma estabilidade financeira igual eu tinha quando trabalhava CLT, mas, em compensação, eu tenho mais liberdade.

— Fabielle Rodrigues Alves da Guia, 29 anos

“Essa rotina pode ser cansativa, principalmente quando eu escolho conhecer várias regiões em um único país. Ficar fazendo e desfazendo as malas, enfrentar horas de deslocamento, me coloca em um estado exaustivo algumas vezes. E eu também me sinto um pouco solitária em alguns momentos, porque estar em constante mudança dificulta o processo de criar conexões com outras pessoas”, disse.

Fabielle Rodrigues em viagem – Foto: Arquivo Pessoal

Durante os dez meses de mochilão, Fabielle já passou pela África do Sul, Namíbia, Tailândia, Vietnã, Malásia e Indonésia. Entre os destinos, a Indonésia foi o país que mais a surpreendeu positivamente.

“Porque lá as pessoas são muito gentis, os preços são extremamente baratos e é um país em que eu me sinto muito segura sendo uma mulher viajando sozinha”, afirmou.

Por outro lado, a passagem pela Malásia teve um início difícil. “Na Malásia, eu fui roubada no meu primeiro dia na capital Kuala Lumpur. E também, comparado aos outros lugares que fui no Sul da Ásia, a segurança na capital da Malásia pode ser um pouco questionável”, relatou.

Viajar sozinha, sendo mulher, exige cuidados extras. Fabielle conta que adota estratégias para reduzir riscos, especialmente ao chegar a países desconhecidos.

Fabielle Rodrigues visitou 6 países viajando sozinha. - Foto: Arquivo Pessoal.
Fabielle Rodrigues visitou 6 países viajando sozinha. – Foto: Arquivo Pessoal.

“Eu nunca falo que estou viajando sozinha. Eu prefiro chegar em países novos sempre durante o dia, para fazer um trajeto seguro do aeroporto até a minha acomodação. Eu também não pego carona quando estou sozinha e evito ser simpática e conversar com homens aleatórios que puxam assunto comigo, porque nunca sei quais são as intenções por trás de cada interação”, explicou.

Para quem sonha em viver uma experiência parecida, a mato-grossense reforça que é preciso ir além da romantização e se preparar financeiramente antes de tomar a decisão.

“Primeiro, é importante alertar que essa escolha, assim como qualquer outra, vai carregar desafios. Você nem sempre vai estar animada para conhecer lugares novos ou pessoas novas. E, segundo, é importante ter pelo menos um dinheirinho guardado para não passar perrengue”, aconselhou.

Fabielle Rodrigues visitou 6 países viajando sozinha. - Foto: Arquivo Pessoal.
Fabielle Rodrigues visitou 6 países viajando sozinha. – Foto: Arquivo pessoal

Depois de deixar Várzea Grande para conhecer o mundo, Fabielle afirma que a experiência mudou a forma como enxerga a si mesma e as próprias raízes.

“Eu descobri que sou muito mais corajosa do que pensava e que tenho uma excelente capacidade de adaptação às adversidades e também ao novo. E uma coisa muito importante: eu descobri que a cultura brasileira e a cultura mato-grossense, principalmente, fazem parte da minha personalidade. Agora que estou longe, comecei a valorizar isso muito mais”, finalizou.



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