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Na esteira das terras raras, ADL Mineração faz primeira exportação de produto nacional

Na esteira das terras raras, ADL Mineração faz primeira exportação de produto nacional

A ADL Mineração realizou no último domingo, 5, o primeiro embarque de monazita para o exterior, inaugurando uma nova fase para a produção privada de terras raras no Brasil. O carregamento, destinado ao Canadá, representa a retomada das exportações do mineral por uma empresa nacional após anos de predominância estatal nesse segmento.

Até então, o envio mais recente havia sido conduzido há sete anos pela Indústrias Nucleares do Brasil, vinculada ao governo federal. O novo movimento sinaliza uma mudança relevante na dinâmica do setor, com maior participação da iniciativa privada em um mercado considerado estratégico no cenário internacional.

A monazita, principal fonte de elementos de terras raras, ganhou centralidade nas discussões geopolíticas e econômicas por sua aplicação em cadeias produtivas de alta complexidade. O mineral é insumo essencial na fabricação de ímãs permanentes, componentes eletrônicos, veículos elétricos, turbinas eólicas e tecnologias ligadas à energia nuclear e à indústria de defesa, áreas diretamente associadas à transição energética e à digitalização da economia.

A expectativa da companhia é ampliar gradualmente sua presença no mercado internacional. A projeção é exportar entre 500 e 1.000 toneladas até o fim de 2026, com destinos que incluem Canadá, Estados Unidos e China. Em um horizonte de dois anos, a meta é atingir cerca de 3 mil toneladas embarcadas.

Segundo Adelina Lee, CEO da empresa, brasileira de origem coreana, o envio marca uma inflexão histórica para o setor mineral brasileiro. A executiva afirma que a entrada de um operador privado nesse mercado, após décadas, evidencia o potencial competitivo do país e reforça sua relevância nas cadeias globais de suprimentos de tecnologias estratégicas.

Ela destaca que o avanço recente do ambiente regulatório foi determinante para viabilizar a operação. De acordo com Lee, a evolução das normas e o amadurecimento do setor permitiram que empresas estruturadas atendessem às exigências técnicas, ambientais e de segurança necessárias para atuar com minerais sensíveis como a monazita.

Fábrica para separação de minérios, em São Francisco do Itabapoana, no Rio de Janeiro

Com atuação voltada a minerais estratégicos, a ADL Mineração também trabalha com ilmenita, zirconita e rutilo, ampliando sua presença de forma gradual e com foco em conformidade regulatória e planejamento de longo prazo. A empresa mantém cooperação com a Indústrias Nucleares do Brasil, em uma parceria que combina capacidade técnica e alinhamento em temas considerados críticos para o desenvolvimento de novos projetos.

A retomada das exportações privadas ocorre em um momento de crescente disputa global por acesso a matérias-primas essenciais, reforçando o posicionamento do Brasil como potencial fornecedor relevante em um mercado cada vez mais sensível a questões geopolíticas e de segurança de suprimentos.

 

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