Nem toda infiltração é igual, e isso explica por que alguns tratamentos funcionam e outros não


Corticoide, ácido hialurônico, proloterapia e PRP são frequentemente chamados de “infiltração”, mas têm funções, efeitos e objetivos completamente diferentes. Entender essas diferenças é essencial para escolher o tratamento adequado para cada tipo de dor.

A palavra “infiltração” costuma gerar duas reações imediatas: expectativa de alívio rápido ou receio de um procedimento invasivo. O problema é que, na prática, esse termo agrupa abordagens muito diferentes — e isso tem gerado confusão entre pacientes e até frustração com resultados.

Nem toda infiltração é igual. E, mais do que isso, nem toda infiltração tem o mesmo objetivo.
Segundo a fisioterapeuta Fabi Pinelli, o primeiro ponto é entender o que está sendo tratado. “Existe uma diferença grande entre aliviar a dor e estimular o corpo a se recuperar. São estratégias diferentes, com tempos e resultados diferentes.”

O alívio imediato e o tratamento regenerativo

Entre os tipos mais comuns de infiltração estão o uso de corticóides, ácido hialurônico, proloterapia e o PRP (plasma rico em plaquetas).

O corticoide, por exemplo, costuma ser indicado para reduzir inflamação de forma rápida, principalmente em momentos de crise. Já o ácido hialurônico atua como um “amortecedor” dentro da articulação, sendo bastante utilizado em casos de desgaste, como no joelho.

“São abordagens que podem trazer alívio mais imediato, principalmente quando a dor está limitando muito a rotina”, explica Fabi.

Mas existe um outro grupo de tratamentos que vem ganhando espaço justamente por atuar de forma diferente: os regenerativos.

O que muda nos tratamentos regenerativos

A proloterapia e o PRP fazem parte dessa nova abordagem. Em vez de apenas reduzir o sintoma, eles buscam estimular o próprio organismo a responder melhor ao problema.

No caso da proloterapia, são utilizadas substâncias como glicose para provocar uma resposta controlada do corpo. Já o PRP utiliza o próprio sangue do paciente.

“O processo é relativamente simples. Coletamos o sangue, passamos por centrifugação por alguns minutos e utilizamos o plasma, que é rico em fatores de crescimento, para aplicação na região”, explica Fabi.
Por utilizar material do próprio paciente, o risco de rejeição é mínimo, e o foco passa a ser estimular regeneração, melhora da função e redução progressiva da dor.

Por que alguns tratamentos pioram antes de melhorar

Um ponto pouco discutido, mas importante, é que os tratamentos regenerativos nem sempre trazem alívio imediato — e, em alguns casos, podem aumentar a dor nos primeiros dias.

“Isso acontece porque estamos estimulando um processo inflamatório controlado. É uma etapa do processo de regeneração”, afirma Fabi.

Esse comportamento é diferente das abordagens que focam apenas em aliviar o sintoma. Por isso, a escolha do tratamento precisa considerar o perfil do paciente, a intensidade da dor e o objetivo do cuidado.

O erro mais comum: tratar todos os casos da mesma forma

A popularização das infiltrações também trouxe um problema: a ideia de que existe uma solução única para qualquer tipo de dor.

Na prática, não funciona assim.

“Cada caso precisa de uma leitura. Tem paciente que precisa de alívio imediato, tem paciente que já está pronto para um tratamento regenerativo, e tem situações em que os dois caminhos são combinados”, explica.

Um exemplo comum é o paciente com dor intensa no joelho, que tem dificuldade para caminhar. Em alguns casos, o ácido hialurônico pode ser utilizado primeiro para melhorar a função, e depois o tratamento regenerativo entra como continuidade.

Um novo olhar sobre o tratamento da dor

A principal mudança talvez não esteja no tipo de infiltração, mas na forma como o tratamento é pensado.
Mais do que resolver um sintoma pontual, cresce a busca por abordagens que considerem:

● função
● mobilidade
● qualidade de vida
● e evolução ao longo do tempo

“Hoje o paciente quer entender o que está sendo feito e por quê. E isso é positivo. Quando existe clareza sobre o tratamento, o resultado tende a ser melhor”, conclui Fabi Pinelli.

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