No próximo de 5 encerram-se as convenções partidárias que determinarão todos os candidatos concorrentes às eleições de 2026. Até essa data as convenções trataram somente de nomes que visam o poder. O restante das convenções não será diferente. Falou-se basicamente na construção do poder via eleições.
Trago o assunto porque os próximos quatro anos de mandato dos eleitos em 2026, serão absolutamente decisivos para Mato Grosso. Será um período de quatro anos em que Mato Groso estará no coração das mudanças geopolíticas mundiais. Portanto, o discurso do poder terá que ser o discurso do futuro destes quatro anos e do futuro seguinte. Estamos a um passo de sairmos do estágio atual na produção do agronegócio e do crescimento para investimentos nacionais e internacionais de larga escala.
O futuro próximo tem três pontos fundamentais: 1- a produção de alimentos; 2-A produção de energia sustentável e; 3- a posse de recursos naturais. O Brasil e Mato Grosso preenchem largamente esses quesitos.
Gostaria de citar alguns números da produção agropecuária de 2026/2027: Foram produzidas 104 milhões de toneladas de soja, milho, algodão e carne. Em 2030, a expectativa será de 146 milhões a considerar as condições atuais do país. Esse valor é superior ao que o Brasil produziu em 2010. No cenário atual a classificação de produção mundial é: EUA, Brasil e Mato Grosso. Acrescento aqui a produção de etanol de milho e cana de 8,44 bilhões de metros cúbicos nesta safra 2026/2027.
Está em rápido andamento a reformulação da ordem mundial iniciada no fim da segunda guerra mundial. O novo mundo que se organiza prioriza alimentos, energia, recursos naturais e tecnologia. Nessa nova geopolítica marcada pelas grandes crises econômicas, industriais, sociais e política no mundo, a tendência são os capitais financeiros migrarem para a onde o mundo tiver a nova cara. O Brasil é caminho natural e Mato Grosso necessariamente.
Com tantos capitais e tecnologias migrando para locais de novas tendências, seria preciso que os novos governantes e parlamentares olhassem para o futuro com esse olhar de transformação e não somente de poder político. Vejo com grande preocupação a pobreza franciscana dos discursos políticos. Poder, apenas poder! Não ouvi nada inteligente ou fora da mesmice do discurso político mal lavado da eleição anterior.
Olho com muita preocupação para todas as instituições políticas, de Estado, mídia e as representativas do setor produtivo. Todas presas na âncora do passado. A conclusão é bem simples: se perdermos esses próximos quatro anos, perderemos mais uma vez o trem da História. E repetiremos o costumeiro voo da galinha. Bate as asas, levanta poeira e voa cinco metros.
Mato Grosso já é um país e não merece isso!
Por Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso
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