Polícia Civil mira operadores financeiros e chefes do tráfico em Comodoro


Uma operação cirúrgica de combate ao crime organizado e à asfixia financeira do narcotráfico foi deflagrada pela Polícia Judiciária Civil na manhã desta quinta-feira (18), no município de Comodoro, região oeste do estado. A ofensiva cumpriu múltiplos mandados de busca e apreensão domiciliar expedidos pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Cáceres, tendo como alvos principais as lideranças intelectuais e os operadores logísticos de uma facção criminosa.

O aparato investigativo, centralizado pela Delegacia Municipal de Comodoro, concentrou as incursões em endereços estratégicos das zonas urbana e rural. O foco principal da investida foi colher provas documentais, mídias digitais e ativos que comprovem a lavagem de capitais e o financiamento de células criminosas na faixa de fronteira.

Divisão de tarefas incluía gerente financeiro que operava via PIX

A arquitetura da investigação criminal revelou um organograma empresarial complexo adotado pelo grupo em Comodoro. De acordo com os relatórios de inteligência policial, os alvos desempenhavam funções perfeitamente delimitadas na cadeia do tráfico. Entre os investigados, a polícia identificou o “tesoureiro” da célula, um suspeito encarregado exclusivamente de gerenciar a contabilidade, pulverizar os lucros da venda de entorpecentes e centralizar os recebimentos de valores por meio de transferências eletrônicas e chaves PIX.

Outros membros do bando, também alcançados pelas ordens judiciais, ficavam sob o comando da logística de armazenamento, transporte e distribuição das substâncias ilícitas, além de realizarem a ponte operacional com lideranças criminosas que já se encontram detidas no sistema penitenciário do estado.

Operação Pharus mira desarticulação estrutural do crime organizado

A ofensiva deflagrada nesta quinta-feira está tecnicamente inserida nas diretrizes da “Operação Pharus”, uma macropolítica de segurança pública que compõe o planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para o ano de 2026. O programa institucional foca na desestruturação de redes de tráfico e lavagem de dinheiro através do estrangulamento patrimonial das facções.

Com a apreensão dos equipamentos eletrônicos e extratos bancários nos imóveis vasculhados, os delegados pretendem robustecer o inquérito policial com provas materiais que tipifiquem os crimes de promoção, constituição, financiamento e integração de organização criminosa.

Rigores da Lei 12.850 e o papel do Juiz das Garantias

As punições para o envolvimento com essas estruturas estão previstas na Lei Federal nº 12.850/2013, cujas penas de reclusão tornam-se substancialmente mais severas quando há o agravante do emprego de armas de fogo, conexão internacional ou o financiamento direto das ações.

A utilização do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias do Polo de Cáceres confere maior celeridade e robustez jurídica à fase informativa do processo, garantindo a legalidade dos atos de busca em tempo recorde. Para resguardar o sigilo das investigações de campo e rastrear ramificações do grupo no interior do estado, a identidade dos suspeitos e o balanço de materiais apreendidos não foram detalhados pelas autoridades de Mato Grosso.

Reportagem baseada em representações cautelares da Delegacia de Comodoro, despachos do Núcleo de Justiça 4.0 de Cáceres e diretrizes institucionais da Operação Pharus 2026.

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