Professores-instrutores do Instituto Estadual de Desenvolvimento da Educação Profissional de Rondônia (IDEP-RO) enfrentam, desde abril, uma situação que expõe um paradoxo dentro da própria instituição: mesmo cumprindo integralmente suas horas-aula em sala, uma parte considerável desse corpo docente já ultrapassa quatro meses sem receber pelo trabalho realizado.
O impacto financeiro é agravado por um detalhe da própria carreira. Criado pela Lei estadual nº 4.624/2019, o cargo de professor-instrutor prevê remuneração exclusivamente pela hora-aula efetivamente trabalhada, sem direito a qualquer parcela ou verba complementar. Na prática, isso significa que, para esses profissionais, o atraso não representa apenas um desconto no salário: é a ausência completa de renda pelo período em que seguiram dando aula normalmente.
Segundo relatos de docentes ouvidos sobre o caso, a origem do problema estaria em uma falha de ordem administrativa dentro do próprio instituto. Contratos foram encerrados e novos vínculos, abertos, mas a gestão não teria conseguido concluir a tempo as matrículas e os demais procedimentos necessários para liberar o pagamento das aulas já ministradas nesse intervalo. O resultado é um impasse burocrático que deixa os professores presos entre dois sistemas: já não estão mais sob o contrato antigo, mas o novo vínculo ainda não avançou o suficiente para gerar a remuneração devida.
O IDEP-RO existe para fortalecer a educação profissional, valorizar quem trabalha e qualificar mão de obra para o mercado, um propósito que, neste caso, esbarra na própria rotina interna do instituto.
A situação chama atenção justamente pelo contraste com a missão da instituição envolvida. O IDEP-RO deixou seus instrutores meses sem receber pelo trabalho que sustenta exatamente o objetivo que a instituição diz defender.
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