O Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá (HPSMC) divulgou dados que acendem o alerta para os índices de violência infantojuvenil na capital.
No período entre dezembro de 2025 e abril de 2026, o Centro Médico Infantil (CMI) — ala de referência para o atendimento de pacientes com até 14 anos — prestou assistência a 17 crianças e adolescentes que sofreram agressões. Dentro desse balanço, 11 atendimentos foram motivados por crimes de abuso sexual.
A amostragem foi apresentada durante um ciclo de capacitação técnica direcionado a médicos, enfermeiros e assistentes sociais da unidade de saúde.
O treinamento integra as ações institucionais do Maio Laranja, campanha nacional de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes.
Articulação técnica para evitar novos traumas
O principal objetivo do treinamento interno é refinar os protocolos de identificação precoce de violência em ambiente clínico, além de integrar o fluxo de atendimento médico com a coleta de evidências legais. A capacitação contou com a colaboração técnica da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e de pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
A união entre a equipe hospitalar e os peritos criminais visa padronizar os procedimentos de diagnóstico sem gerar o desgaste emocional da revitimização, permitindo que os indícios de crime sejam preservados de maneira humanizada enquanto o paciente recebe os cuidados médicos imediatos.
“Nossa missão vai além de tratar o ferimento físico. O Maio Laranja nos lembra que a saúde é um elo vital na garantia de direitos. Capacitar nossas equipes significa oferecer um porto seguro para quem está em extrema vulnerabilidade”, ponderou a secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon.
Porta de entrada na rede de proteção
Como unidade de urgência e emergência referenciada, o CMI atua como o primeiro ponto de acolhimento e triagem em situações de crise na capital. A direção do hospital destaca que o protocolo clínico para esses casos é interdisciplinar e imediato, composto por:
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Acolhimento médico de emergência e suporte psicológico para as vítimas e familiares;
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Preenchimento da ficha de notificação compulsória para alimentar os bancos de dados de vigilância epidemiológica;
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Acionamento imediato das unidades regionais do Conselho Tutelar;
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Encaminhamento do menor e da família para tratamento especializado na rede psicossocial do município.
A gerência de atendimento terapêutico do hospital reiterou que a capacitação continuada fortalece a chamada “escuta qualificada”. A técnica permite que o profissional extraia informações clínicas relevantes para o diagnóstico médico sem pressionar a criança a relatar repetidamente a agressão sofrida, minimizando os impactos psicológicos do atendimento de urgência.
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